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Sono

Adolescentes precisam dormir mais tempo, afirmam especialistas

Manifesto recomenda que aulas do período matutino para turma de 13 a 17 anos comecem às 8h30
20/11/2017 09:50 20/11/2017 09:50

Gabriela da Silva/GES-Especial
Na adolescência, ideal é dormir de 8 a 10 horas, afirma especialista em sono

Dormir até mais tarde não é preguiça, acredite, é uma necessidade para o adolescente. O relógio biológico da turma entre 13 e 17 anos de idade funciona diferente do de crianças e idosos, por exemplo, que vão para a cama mais cedo e despertam mais cedo também. Isso porque a entrada na puberdade está associada a um atraso nos horários de dormir e acordar. A explicação está na melatonina, que é o hormônio do sono, produzido geralmente à noite. “Nos adolescentes, a produção de melatonina é mais tardia, então tendem a sentir sono mais tarde, por volta de 23 horas e meia-noite, e tendem a acordar também mais tarde. O fato é que não adianta mandar o adolescente dormir mais cedo porque tem que acordar cedo. Ele não vai conseguir. É muito difícil para ele ir dormir cedo porque o relógio biológico está regulado para dormir mais tarde”, explica o pneumologista e especialista em sono Christiano Perin, do Mãe de Deus Center, de Porto Alegre, acrescentando que, enquanto um adulto precisa de 7 a 8 horas para ter um sono de qualidade, o ideal na adolescência é dormir de 8 a 10 horas.

O período de sono menor do que o recomendado reflete em déficit na aprendizagem. “Uma das funções do sono é justamente a consolidação do aprendizado, da memória. Se a pessoa dorme pouco, ela tem dificuldade de aprender porque está sonolenta na aula, e também porque tem dificuldade de reter e gravar essa informação”, acrescenta Perin. É por isso que especialistas defendem mudanças nos horários escolares matutinos. No início de novembro, a Associação Brasileira do Sono (ABS) divulgou manifesto em que sugere que o início das aulas para os estudantes do 7o ao 9o ano do ensino fundamental e dos três anos do ensino médio ocorra preferencialmente a partir das 8h30, “para garantir um mínimo de quantidade e qualidade de sono e um bom processo de aprendizagem”. Perin observa que a prática já foi adotada em países como Estados Unidos e Canadá. “Há estudos científicos comprovando que o aluno tem melhor rendimento quando a aula começa mais tarde”, pontua.

No manifesto, a ABS recomenda a gestores educacionais em nível municipal, estadual e federal, a entidades educacionais e a organizações de professores o planejamento de alterações nos horários escolares, considerando períodos mais flexíveis. Apesar da orientação sob o ponto de vista médico, a associação reforça que qualquer mudança deve ser debatida com toda a comunidade escolar.

Acordar cedo faz parte


Gabriela da Silva/GES-Especial
Aulas começam às 7h20 para Gabriel, Ana Paula, Arthur, Natália e Bruna
Em direção oposta ao que indicam estudos sobre o sono, a estudante Natália Alves Stangherlin, 17 anos, aluna do 2° ano do Curso Normal do Instituto Ivoti, diz que até gosta de acordar cedo. “Consigo aproveitar mais o dia. Normalmente, às 22 horas já estou dormindo”, conta. Ela desperta diariamente às 6 horas para se preparar para a aula, que começa às 7h20. Colega de curso, a estudante Bruna Vitória Weigel, 16, do 1° ano, também é da turma dos madrugadores e chega a acordar antes mesmo do despertador. “Mas para isso tenho que dormir cedo também”, observa. Ana Paula Scheeren, 18, do 3° ano, concorda: “estou acostumada a despertar às 6h30, mas também é uma questão de organização do tempo”.

Para Gabriel Hoffmeister, 16, do 3° ano do ensino médio, não importa tanto a hora de despertar, mas o tempo que teve de sono. “Tanto faz se tiver que levantar às 6 horas ou ao meio-dia, preciso dormir 8 horas no mínimo para conseguir prestar atenção na aula”, afirma. Gabriel diz que a qualidade do sono depende também do que teve de atividade no dia anterior. “Se fiz algum exercício físico, é mais difícil acordar”, confessa. O colega Arthur Kuhuff Schroeder, 16, também do 3° ano, revela que já se acostumou com os horários matutinos. “Levanto todo dia às 6h30, e mesmo quando não tem aula acabo acordando cedo”.

Para dormir bem

Um sono de qualidade começa antes mesmo da ida para a cama. Segundo Perin, o ideal é ter o mínimo de luzes acesas dentro de casa à noite e evitar o estímulo luminoso de televisão, celular, tablet, computador. Ele diz que, uma hora antes de dormir, o melhor é ir para o quarto, num ambiente silencioso, com pouca luz e ler um livro sentado na cama. “Baixa a luz, sem som e fica lendo, e aí o cérebro percebe que está na hora de adormecer e a produção da melatonina começa a se intensificar. Para ser produzida tem que estar no escuro”, destaca o médico.

Além de interferir na aprendizagem, a falta de sono para os adolescentes está relacionada a maior irritabilidade, alterações no humor e dificuldades sociais. “Prejudica até o crescimento”, afirma Perin.

Período de descanso adequado

No Instituto Ivoti, as aulas no período da manhã vão das 7h20 às 11h50 e à tarde, das 13h30 às 17h55. Para que os alunos tenham um bom desempenho, a coordenadora pedagógica do ensino médio, Bárbara Vier Mengue, diz que a escola recomenda aos estudantes que procurem dormir cedo para levantar mais cedo. “Claro que depende da rotina da família. Entre os alunos que moram na instituição, a orientação é de que até as 22 horas estejam nos quartos para ter o período de descanso adequado”, destaca. Além disso, Bárbara observa que a escolha do horário de início da aula tem a ver também com a realidade da região, onde muitas empresas iniciam suas atividades cedo. “Muitos pais precisam que seja nesse horário em função do trabalho. É uma necessidade familiar”, afirma.

Para a coordenadora pedagógica, é importante, ainda, que o estudante organize sua rotina de estudos, distribuindo horários, para que não tenha que ir dormir mais tarde.


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