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Gilson Luis da Cunha

Quando a imitação é melhor que o original

Diário de bordo de um nerd no planeta Terra (DATA ESTELAR 26112017)
26/11/2017 07:30

Gilson Luis da Cunha - Blog Diário de Bordo de um nerd no planeta terra

Gilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura

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E finalmente consegui assistir os quatro primeiros episódios de The Orville, a sátira de Star Trek capitaneada (em todos os sentidos) por Seth MacFarlane, de Uma Família da Pesada. Não tive surpresas. A série é boa mesmo e entrega o que já prometia no trailer: Aventuras espaciais, personagens disfuncionais, humor ligeiro, muitas vezes involuntário (o melhor humor que há), e o tal sense of wonder que, infelizmente, passou longe de Star Trek Discovery.

Quando foi anunciado que MacFarlane iria produzir uma série de space opera, muitos ficaram apreensivos. Não era o mesmo sujeito que escreve aquelas comédias insanas e com um tom que oscila entre o anárquico e o humor negro? Bem, em defesa de Macfarlane, lembro que esse maluco também é o mesmo produtor da nova versão da série Cosmos. Muito do sucesso de Cosmos se deve a ele.

Macfarlane é assim mesmo. Um cara que adora surpreender. Todo mundo esperava dele uma versão esquizofrênica e escatológica de Star Trek, algo não muito diferente de suas animações de sucesso, como American Dad. Bom, não é por aí. Se em termos de direção de arte e design a série lembra muito Jornada Nas Estrelas, A Nova Geração, em termos de argumento, não pode ser mais diferente. No episódio piloto, somos apesentados ao desafortunado capitão Ed Mercer (MacFarlane), que tem sua vida e carreira viradas ao avesso quando, ao voltar para casa em certa ocasião, encontra sua esposa (Adrianne Palicki) na cama com um alienígena azul.

O ano seguinte na vida de Mercer é um longo caminho ladeira abaixo, levado pelo alcoolismo, até que o almirantado da frota da União dos Planetas resolve dar a ele um novo comando: A nave estelar Orville, uma nave de exploração. Ele aceita, feliz com a chance de recomeçar, mas não antes de ser informado pelo almirante Halsey (Victor Garber, de Legends of Tomorrow) de que ele só obteve o comando porque não havia mais nenhum oficial disponível.

Mesmo assim, Mercer consegue, ente outras prerrogativas, escolher o tenente Gordon Malloy (Scott Grimes), seu melhor amigo, para o posto de piloto da Orville. Malloy pode ser o melhor no que faz, mas pilotar é a única coisa que ele sabe fazer. Isso, aliado a uma tremenda inaptidão social, tornam a convivência a bordo uma aventura para seus colegas de tripulação, exceto para o tenente John LaMarr (J. Lee), navegador, um cara quase tão sarcástico quanto Malloy, que se torna seu amigo quase que instantaneamente, ao perceber que ambos são vistos como cretinos pelo resto de seus colegas.

O resto dos oficiais também impressiona: Dra Claire Finn (Penny Johnson Jerald) uma brilhante médica sem papas na língua, que escolheu servir na Orville porque "prefere servir onde mais precisam dela", numa referência nada sutil a sua descrença nas habilidades do capitão, o Tenente Bortus (Peter Macon), um alienígena da raça dos moclans, formada exclusivamente por machos, e que só urina uma vez por ano, tenente Alara Kitan, a jovem oficial de segurança da raça xelayan com força sobre-humana e repleta de inseguranças, e Isaac, um tripulante robô, membro de uma raça de seres não biológicos, que escolheu servir na Orville como uma forma de observar a natureza humana.

Formada a tripulação, a primeira missão de Mercer é uma visita de rotina a um posto avançado de pesquisa em outro sistema estelar. As coisas se complicam quando o Almirante Halsey comunica a Mercer que o posto de imediato, interinamente ocupado por Bortus, acaba de ser preenchido pela tenente-comandante Kelly Grayson que vem a ser, casualmente, sua ex-esposa. Dado que sua carreira já está por um fio, resta a Mercer suportar o clima tenso na ponte (e no resto da nave, bem como em missões avançadas) e tolerar sua ex como a segunda em comando. Esse é o ponto de partida para as aventuras da Orville.

A série, que muitos esperavam se limitar a aspectos cômicos, tem apresentado conceitos interessantes de ficção científica e, até, discussões éticas que não deixam nada a dever para Star Trek (a verdadeira, não Discovery). A homenagem à criação de Gene Roddenberry pode ser vista principalmente nos designs. A Orville, sem os três propulsores de popa, lembra muito uma nave da frota estelar (há até duas naceles de dobra, muito mal disfarçadas), provavelmente algo entre a classe Intrepid (USS Voyager) e a Equinox.

Além dessas referências visuais, a música de John Debney, mesmo que exagerada (ei! Ainda é uma sátira), consegue emular o melhor de elementos usados por Jerry Goldsmith e James Horner em suas trilhas sonoras para filmes de Jornada Nas Estrelas. The Orville caiu no gosto dos fãs que se sentiram traídos pela CBS e as barbaridades inseridas no roteiro de “Star Trek” Discovery. Mas na verdade, MacFarlane e seus comandados têm brilho próprio. Até a pé-frio Adrianne Palicki parece ter encontrado seu lugar, após participar de vários pilotos de série recusados, como o infame Mulher-Maravilha. The Orville acaba de ser renovada para a segunda temporada. Agora é esperar por sua estreia nos canais Fox Brasil. Fica a recomendação. Vida longa e próspera e que a força esteja com vocês. Até domingo que vem.


Diário de Canoas
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