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Gilson Luis da Cunha

Avante, cidadão! Os vinte anos de Tropas Estelares

Diário de bordo de um nerd no planeta Terra (DATA ESTELAR 12112017)
12/11/2017 07:30

Gilson Luis da Cunha - Blog Diário de Bordo de um nerd no planeta terra

Gilson Luis da Cunha é doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura

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Tropas EstelaresNa semana que passou, o filme Tropas Estelares (Starship Troopers), ficção científica dirigido por Paul Verhoeven completou vinte anos de seu lançamento nos cinemas americanos na última terça-feira. Celebrado como mais um filme de ação recheado de humor negro pelo diretor de Robocop, o filme é a adaptação do romance de mesmo nome, escrito por Robert A. Heinlein de forma serializada, na revista The Magazine of Fantasy & Science Fiction, entre outubro e novembro de 1959.

E, como o romance que lhe deu origem, o filme de Verhoeven foi erroneamente acusado de ser uma apologia ao militarismo e ao fascismo. Parece piada. Mas é verdade. O sujeito faz uma obra criticando, sei lá, o racismo. E acaba sendo acusado de racismo. Nisso, tanto Heinlein quanto Verhoeven acertaram em cheio. A ironia de ambos era fina demais, especialmente a de Heinlein. Sempre há o risco de alguém não entender a piada e achar que a sátira é, na verdade, uma ode.

No caso de Heinlein, até dá para entender. Apesar de ser um adepto do libertarianismo e visceralmente contra a ingerência do estado na vida dos cidadãos, tudo o que muitos leitores conseguiam se lembrar é que, além de engenheiro, ele tinha sido oficial da marinha dos EUA. O caso de Verhoeven é mais patético. O amalucado diretor holandês que revelou Rutger Hauer carregou nas tintas ao adaptar a aventura de space opera militar, sobre uma Terra do futuro onde só quem serviu ou serve as forças armadas tem plenos direitos políticos, em resumo, é considerado um cidadão.

Tanto o livro quanto o filme tratam das aventuras de Juan "Johnny" Rico, um jovem de Buenos Aires que resolve se alistar na Infantaria Móvel a fim de obter cidadania. Após um ataque de uma raça de alienígenas insectóides que destrói Buenos Aires, a cidade natal de Rico, as forças terrestres resolvem levar a guerra a Klendathu o mundo dos alienígenas. Essa, em linhas gerais, é a trama do livro e do filme. Mas as semelhanças param aí.

Enquanto Heinlein faz uma crítica social sutil entremeada por cenas de batalha, Verhoeven aposta no humor grotesco ao contar as aventuras de Rico (Casper Van Diem) e seus companheiros de armas na luta contra os insetos. Diferente de Robocop, o filme foi mal recebido pela crítica e pelo público americano, fazendo apenas 121 milhões de dólares, contra um orçamento de 105 milhões. Também pudera. Verhoeven quis mostrar o fanatismo patriótico americano e suas consequências, com requintes de violência, mas narrado num tom de galhofa.

Como não rir com o período de treinamento básico na Infantaria Móvel? O Sargento instrutor Zym (Clancy Brown, o Kurgan de Highlander, a ignorância em pessoa!) É uma verdadeira fábrica de estropiados. Ele espanca seus comandados, quebra seus ossos, apunhala aqueles menos esforçados, apenas para, logo em seguida, gritar: "Médico!"

Mas a crítica ao militarismo não se resume a punhaladas e ossos quebrados. Jean Rasczak (Michael Ironside, figurinha carimbada), professor de Rico e seus amigos no ensino médio, é ele mesmo um reservista mutilado de conflitos anteriores. E não hesita em voltar à Infantaria Móvel, onde se torna oficial comandante de seus alunos. À medida que os oficiais vão morrendo, Rico, que começou como soldado, acaba virando tenente e comandando seu próprio pelotão.

Além disso, a direção de arte e figurinos, de modo nada sutil, usa a iconografia nazista, em uniformes, arquitetura e outros componentes do filme, como nos sobretudos cinza usados pela elite de inteligência militar da Força Federal, que lembram trajes de oficiais do exército nazista. Uma diferença importante em relação ao livro é que as powersuits, armaduras de combate altamente tecnológicas mostradas no livro, não são usadas no filme. Verhoeven queria mostrar os combatentes como bucha de canhão, meros fantoches descartáveis do estado, e não caberia apresentá-los com tecnologia avançada demais.

O final do filme, narrado em forma de tele-noticiário, um recurso que o diretor já havia usado nas primeiras cenas de Robocop, salienta o tom de farsa: Uma nova propaganda de alistamento militar na qual Rico e seus amigos são os astros, promete aventura, emoção, cidadania, e muitos alienígenas mortos, para quem se dispor a lutar pela Federação Terrestre. Demais para a cabeça do público americano da época.

Mesmo assim, o filme foi um relativo sucesso em muitos países. Tropas Estelares teve duas continuações, feitas diretamente para vídeo, ambas pavorosas. Mas o filme original foi eleito o vigésimo, numa lista dos 100 melhores filmes dos anos 90 pela Slant Magazine. As cenas de ação, mesmo com a defasagem da tecnologia de CGI, ainda impressionam. Fica a dica. Mas não o levem a sério demais. Vida Longa e próspera e que a força esteja com vocês. Até domingo que vem.


Diário de Canoas
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