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Cinemas de Canoas

O três em um que foi uma verdadeira revolução

Um projeto inovador, Multicine reinou durante os anos 80 e 90
12/10/2017 11:25 12/10/2017 11:26

Arquivo Histórico
Três salas de cinema funcionavam no Conjunto Comercial Canoas
Nossa viagem de hoje nos leva até 1977. O empresário Johannes Engel voltou para Canoas de uma viagem na Europa com uma ideia fixa: construir um conjunto de três salas de cinema em um mesmo local. Naquela época o proprietário do Conjunto Comercial da cidade já trabalhava na ampliação de seu negócio. Era a oportunidade perfeita para que Engel levasse a cabo sua ideia inovadora. O problema é que não faltou quem dissesse que a ideia era uma loucura. Fácil entender o porquê. Faltavam ainda duas décadas para que o conceito de Multiplex, que significa resumidamente várias salas de cinema em um mesmo espaço, ganhar forma. Engel, entretanto, bateu o pé e levou adiante o que muitos acreditavam ser uma loucura.

O Multicine foi inaugurado em 1981, em uma época em que os cinemas de bairro em Canoas já não pareciam tão atrativos para o público. O cinema ganhou um andar inteiro para chamar de seu. O 4º andar do Conjunto Comercial tinha três salas, duas delas com 300 lugares e uma com 270. E isso era uma heresia naqueles anos 80. Isso porque o cinema era ainda sinônimo de grande espetáculo. Não existiam salas de exibição com menos de 800 lugares. Só que o Multicine já nasceu assim, passando três filmes ao mesmo tempo e para um público que lotava, no máximo, 300 poltronas. “Aquilo bombava”, recorda Arno Engel, filho do empresário, hoje com 58 anos.

Arquivo Histórico
Empresário Johannes Engel
De acordo com Arno Engel, por estar no Centro, a localização do Conjunto Comercial era perfeita para o público que podia frequentar as lojas da área central e em seguida "pegar um cineminha." “O Canoas Shopping só chegaria aqui muitos anos depois. Então aquilo era uma novidade sem igual”, aponta. Verdade. Em um período anterior a ascensão das videolocadoras, o grande público queria assistir a sucessos como 'Rocky', 'Guerra nas Estrelas', 'Indiana Jones' e 'Rambo' na tela grande mesmo. “Tinha gente que via até três filmes seguidos. Isso era normal. Aquilo foi um sucesso. E o meu pai provou que estava certo desde o começo.”

A febre das videolocadoras
O Multicine reinou absoluto de 1981 a 1998, sendo durante o período sinônimo de cinema na cidade. Quer dizer, quase isso. Após o apogeu durante quase toda a década de 80, com longas filas e muito movimento na Rua 15 de Janeiro, o cinema passou a enfrentar um rival de peso: as fitas VHS. As videolocadoras viraram mania em todo o Brasil a partir do final dos anos 80, de forma que, no início dos anos 90, não existia um bairro que não tivesse pelo menos três ou quatro locadoras de filmes. Em uma época pré-internet, os videocassetes foram responsáveis por fazer muita gente ficar longe das salas escuras. Afinal de contas, em um prazo máximo de um ano, “aquele” lançamento que estava no cinema, seria editado em vídeo e estaria à disposição pertinho, na esquina de casa.

Quase de graça
Infelizmente, o Multicine enfrentou problemas além das locadoras que se espalharam pela cidade. “Além da competição com as locadoras, que era desleal, o empresário que ficou responsável pelo Multicine quebrou e isso trouxe problemas financeiros e administrativos durante muitos anos”, conta Arno Engel. “Então, ali por 1998, as sessões já nem eram mais regulares. Passavam filmes de vez em quando”, lembra.

Problemas técnicos

Muito se pensou em reinaugurar o Multicine. Pelo seguinte motivo: o 4º andar do Conjunto Comercial foi planejado como cinema. E mais nada. Até o piso com inclinação e rampa foi feito com esse objetivo, não servido para outra coisa. Durante os anos em que a Prefeitura de Canoas funcionou no Conjunto, uma das salas até virou teatro para a Secretaria de Cultura, porém hoje a realidade é outra. “Retiramos as poltronas e estamos pensando no que pode ser feito com aquele espaço”, frisa Engel, hoje diretor-presidente da Concórdia Incorporadora. “Cinema eu sei que não vai ser. Porque o pessoal que trabalha com cinema tem ganhado mais dinheiro com a pipoca do que com a exibição dos filmes.”

O Multicine estava intacto até dois meses atrás

Divulgação
Há dois meses, a sala de cinema do Multicine foi desmontada
O Multicine não existe mais. E daí? Qual a novidade? Ele fechou há décadas! Não. Não é nada disso! É que até poucos meses atrás, as salas permaneciam intactas, com poltronas e tudo. Há dois meses, no entanto, tiveram início as reformas e a sala de cinema foi desmontada. Ficou o registro fotográfico acima, para quem quiser matar saudade de salas que tantas emoções proporcionaram ao público canoense.

A primeira sessão a gente não esquece

Hoje com 39 anos, Emerson Petro não tem tido tempo para ir ao cinema. O trabalho, a mulher e os dois filhos pequenos tomam a maior parte de seu dia. Só que nem sempre foi assim. O menino Emerson viu muitos filmes. A maior parte no Multicine, o mais perto de casa. E a primeira sessão ele não esquece. Émerson tinha 5 anos de idade quando passava na televisão o trailer de “E.T. - O Extraterrestre.” O ano era 1982 e o filme de Steven Spielberg era “aquele” lançamento que ninguém poderia perder. Pois é, ele não perdeu.

Emerson Petro viu o filme E.T aos 5 anos

“Eu era bem pequeno, mas lembro de quase tudo naquele dia”, conta. “Minha mãe me levou de ônibus para o Centro. Era tudo novidade porque eu nunca tinha visto um cinema. E quando começou a sessão, aquilo parecia mágico”, suspira, ao recordar o deslumbre. Emerson ficou com praticamente todas as cenas clássicas na cabeça. Aquela em que a irmã do menino descobre o E.T. no armário, o E.T. em casa embriagado de cerveja, o voo do extraterrestre com o menino na bicicletinha. “Foi um dia inesquecível. E como era no Conjunto Comercial. Depois eu ainda ganhei um lanchinho. Foi demais.”

O fim do mundo com mais dois na sala

O apagar de luzes do Multicine foi triste. Quem assistiu as últimas sessões do cinema em 1998, conta que nem mesmo os maiores sucessos atraíam o público como outrora. Marcos Antônio Ramos viu “Armageddon”, um dos maiores lançamentos daquele ano com outras duas pessoas na sala. “Bah! Estava quase vazio. O filme com o Bruce Willis era tri legal, mas não tinha quase ninguém na sala. Lembro que essa foi minha última vez também. Depois, nem fui mais.”

E a série termina

Leia nesta sexta-feira sobre a chegada do Cinemark após a abertura do Canoas Shopping e sua proposta de Multiplex, que garantiu sobrevida aos fãs de cinema de Canoas nos anos 2000.


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