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Cinemas da história de Canoas

Passagem do glamour aos anos de chumbo

Com as famílias Busato e Capoani, cinema viveu o apogeu e queda
11/10/2017 13:36 11/10/2017 13:41

Arquivo Histórico
Cine Rex: sala do Centro era considerada a mais glamorosa de Canoas durante os anos 50
Nossa viagem de hoje pelos cinemas começa nos anos 50. Para quem não lembra, foi o período em que, lá fora, a televisão começou a invadir os lares. Foi necessário, portanto, que o cinema crescesse. Em todos os sentidos. A época de superespetáculos de Hollywood trouxe também ao Brasil e a Canoas toda a pompa e o glamour de Hollywood. Se do lado de lá da tela, quem dominava a atenção eram épicos de grande porte como Ben-Hur, do lado de cá foram duas famílias que garantiram o entretenimento na cidade. Foi graças a parceria dos Busato com os primos Capoani que o cinema ganhou vida entre os anos de 50 e 70.

Tudo teve início em 1950, quando foi inaugurado na Avenida Getúlio Vargas o Cine Teatro São Luiz. Ideia de Francisco Busato Filho, que, acredite, trabalhava com lenha no interior do Estado, mas mudou radicalmente de negócio ao vir para cá e observar o sucesso que o cunhado estava fazendo ao montar uma sala de cinema em Esteio. Era o final dos anos 40 e a iniciativa resultou na construção do São Luiz. O sucesso foi tamanho que a Capoani, Busato & Cia. Ltda estendeu a parceria para a construção do suntuoso Cine Rex. Depois, vieram o Cine Niterói, Cine Rio Branco e Cine Vitória. Todos ganharam vida até o final da década de 50, quando a parceria entre os primos teve fim. E os Capoani ficaram com o Rex e Vitória enquanto os Busato ficaram com São Luiz, Niterói e Rio Branco.

Hoje prefeito de Canoas, Luiz Carlos Busato lembra bem dessa história, “ali” no final dos anos 60. Seu primeiro emprego, afinal de contas, foi como lanterninha Cine São Luiz. “Comecei ajudando a minha tia na bomboniere. Depois fui promovido a lanterninha e mais tarde como bilheteiro”, recorda. “Era um cinema de rua. E como não existia TV aqui, o cinema era tudo. Bem diferente de hoje”, acrescenta. E o melhor da experiência? Os tempos de bilheteiro, é claro. “Na quarta-feira era o dia em que as gurias não pagavam, então aquilo lotava de gente. Elas porque era de graça e eles querendo namoro”, brinca. “Só que eram outros tempos e até para pegar na mão da guria era muito difícil.”

Uma aventura que acontecia fora das telas

Arquivo Histórico
Francisco Busato
Então um jovem com 17 anos, Busato revela que chegou até a trabalhar com o chamado “processo simultâneo.” Explico. Naqueles tempos, o aluguel de um filme custava uma fortuna. Por isso, era preciso fazer o maior número de exibições possíveis para faturar. Francisco Busato, então, inovou ao ter a ideia de exibir um único filme em três cinemas diferentes quase ao mesmo tempo. E funcionava. Acontece que um filme vinha em vários rolos, seis ou sete em geral. Assim, era necessário marcar o início da exibição para três horários diferentes: 19 horas, 19h30, 20 horas. A partir daí. Quando terminasse o primeiro rolo de um filme, ele era levado de caminhonete em velocidade até o outro cinema onde começava a ser exibido e assim por diante.

Era uma verdadeira aventura fora da tela. Uma luta desesperada contra o tempo. “Meu pai [Luiz Busato, filho de Francisco] era o gerente de toda a rede então eu e os meus primos tínhamos que trabalhar muito. E essa tarefa do simultâneo era algo de muita responsabilidade”, aponta. “Certa vez, um funcionário do cinema capotou o carro no trajeto. Pior: a caminhoneta levava, além dos rolos de filmes, sacos de cimento. Ou seja, acabou com a sessão de todo mundo”, conta, rindo. “Aqueles rolos eram de celulose. Arrebentavam por qualquer coisinha. Agora, imagina ficar para cá e para lá de carro com eles. Então não foi só essa. Acabamos com várias sessões.”

O fim de uma era e o início de outra

O movimento nos cinemas em Canoas foi diminuindo conforme a televisão entrou nos lares dos brasileiros a partir da década de 70. Portanto, o fechamento das salas foi acontecendo conforme o público foi ficando menor. Um empresário tentou até reabilitar o cinema de bairro criando o Cine São Luiz 2 já nos anos 90, porém a experiência só durou um ano e depois houve o fechamento. Por falto de público, é claro. O interesse na época estava nas fitas de VHS e em novidades como o conjunto comercial, cujo Multicine trouxe uma nova proposta para quem curte um “cineminha.”

Trocando gibis em frente ao Cine Rio Branco

Leandro Domingos/GES-Especial
O motorista Renato Soares disse que o Cine Rio Branco era o point da galera trocar gibis
Está certo que o campo do Frigosul era o local mais movimentado do bairro Rio Branco nos anos 70, mas isso era durante o dia. À noite, o Cine Rio Branco era o “point” da galera, conforme lembra o motorista Renato Soares. Hoje com 63 anos, ele lembra com muito carinho de algumas sessões inesquecíveis de “bangue-bangue” com astros como John Wayne, Henry Fonda, Charles Bronson, Yul Brynner e Clint Eastwood. “Só passava filmão”, diz. E com mais carinho ainda das “trocas de gibis” que aconteciam em frente ao cinema. “Fantasma, Zorro, Mandrake, Super-Homem. Não tinha internet naquela época então a gente trocava os gibis e lia de tudo um pouco”, comenta.

O glamour dos grandes épicos de Hollywood

Arquivo Histórico
Cine Teatro São Luiz tinha grandes épicos do Hollywood
Não foi à toa que os anos 50 marcaram um período de superproduções épicas. É que com o surgimento da televisão nos Estados Unidos, o cinema ganhou um concorrente e era preciso mostrar na tela grande o que a TV não podia. Está aí a razão pelo qual filmes épicos como “O Manto Sagrado” (1952), “Ben-Hur” (1959), “Spartacus” (1960), “El Cid” (1961) e “Cleópatra” (1963) eram produzidos em larga escala. Literalmente. No cartaz do Cine São Luiz, estava “Ricardo Coração de Leão” (1953), uma das tantas superproduções da época feita em Cinemascope, formato mais largo de tela, que durante alguns anos simbolizou o glamour das superproduções.

Laranja com tarjas pretas

Não foram poucas as produções de cinema censuradas na época dos “anos de chumbo.” Muitos filmes de prestígio não caíram nas graças dos milicos e chegaram com atraso e até mesmo alterações por aqui. O clássico Laranja Mecânica, por exemplo, foi lançado em 1971, mas devido a censura chegou ao Brasil só em 1978. E quando chegou, apareceu na tela com tarjas pretas cobrindo as cenas de nudez. “Tinha umas tarjas pretas na frente do corpo das atrizes que era ridículo”, lembra Augusto Bierhals, um dos espectadores fiéis das sessões de quarta à noite do Cine Rio Branco. “Só fui conseguir ver o filme sem aquilo anos mais tarde, em vídeocassete.”

E a série continua

Leia nesta quinta-feira sobre a chegada do Multicine no Centro e a verdadeira revolução promovida pelo complexo no Conjunto Comercial, além da concorrência desleal com as videolocadoras no final da década de 80.


Diário de Canoas
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