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Sétima Arte

Série especial: E o cinema chega a Canoas

Cine Porcello e Cinema Central inauguraram uma era de sonhos
10/10/2017 16:24 10/10/2017 16:25

Arquivo Histórico
Cinema Central surgiu no início dos anos 20 na Avenida Victor Barreto
O cinema mudou em seus 120 anos, no entanto o princípio foi comum em praticamente todos os lugares do mundo. De um lado, o espanto do público; do outro as dificuldades técnicas que exigiam muito esforço de quem se arriscava em exibir um filme publicamente. O Diário de Canoas dá início hoje a uma série de reportagens sobre o cinema em Canoas, resgatando desde as primeiras exibições até a instalação de redes de cinema na cidade. É uma história bonita, mas ainda em aberto. Porque passados 100 anos da inauguração dos primeiros cinemas por aqui, os canoenses continuam reservando tempo de suas vidas para viver emoções em uma sala escura.

Nossa viagem começa na Canoas de meados dos anos 10. Para ser mais preciso, em 1914. Naquele ano foi inaugurado o primeiro cinema do então distrito de Gravataí. Era o Cine Porcello, onde Oswald Kessler Ludwig montou um projetor atrás de sua farmácia. Conforme descreve o livro “Canoas – Para Lembrar quem Somos”, no trecho em que trata da “magia do cinema em Canoas”, a projeção era feita com auxílio de um motor. As projeções eram realçadas pelo som de um bandoneon. Com o tempo, somaram-se os sons de violão e violino. E por fim, Vicente Porcello, o dono do prédio, adquiriu uma pianola que era tocada por sua filha Henriqueta.

Era uma época mais romântica e a experiência de dividir um filme só tinha equivalente a uma missa de domingo. Tudo era feito em família. Antônio Jesus Pfeil nasceu em 1939 e não acompanhou essas primeiras exibições, mas pesquisou muito sobre o assunto e conversou com quem esteve nas exibições feitas na Avenida Victor Barreto. “As pessoas vinham de muito longe só para ver um filme”, aponta. “Umas de carro; outras de trem. Quando eu era pequeno e comecei a frequentar o Cine Porcello ainda funcionava assim. E eu achava aquilo tudo mágico. Não existia TV naquele tempo, então poder acompanhar aquela história que se movimentava na tela era lindo.”

Não foi fácil se adaptar ao som

PAULO PIRES/GES
Antônio Jesus Pfeil cineasta
O cinema se tornou um negócio lucrativo em todo o mundo e também em Canoas. Assim, no início dos anos 20, surgia o Cinema Central. O concorrente ficava quase na frente do Cine Porcello, porém do outro lado dos trilhos, na Avenida Guilherme Schell. Seu proprietário, Arthur Pereira de Vargas, não poupou dinheiro no “casarão de madeira.” Instalou inicialmente cadeiras avulsas para logo depois colocar poltronas. As exibições aconteciam sempre aos domingos, às 20 horas, e causavam furor.

Por razões óbvias, as sessões do Cine Central eram mais “organizadas” que aquelas vistas nos primeiros tempos do pioneiro Cine Porcello, razão pelo qual, aos poucos, o público foi migrando do primeiro para o segundo, o que levou ao fechamento do Porcello no final dos anos 30. Tendo permanecido “de pé”, coube ao Central se adaptar a uma novidade que já havia causado furor em todo o mundo: o som. Os filmes se tornaram falados e o público queria acompanhar esta novidade.

O som foi introduzido no cinema em 1927, no entanto as limitações técnicas do período fizeram com que os filmes falados só chegassem ao resto do mundo muito tempo depois. Em Canoas, as produções falaram pela primeira vez em 1939. E não foi fácil. A sincronia entre a imagem e o som, não raro, causava o riso involuntário, conforme lembra Jesus daquelas primeiras exibições no final dos anos 30.

“Era muito engraçado porque às vezes o ator caia no chão e só muito tempo depois é que a gente ouvia o som do tiro”, aponta. Também não era fácil escutar um “cowboy” falando com voz de mulher. “Era ridículo. Todo mundo ria. E o Arthur Pereira de Vargas ficava indignado”, diz. O tempo, no entanto, tratou de tornar as sessões menos engraçadas e logo o público se acostumou a ver astros e estrelas soltando a voz em alto e bom tom.

O apagar de luzes

Passado um período de grandes dificuldades, o Cinema Central reinou absoluto trazendo ao público os grandes filmes e as grandes estrelas da época. Em 1941, Leopoldino de Castro Mattos assume o empreendimento de Arthur Pereira de Vargas. Foi um período de glória e grande popularidade para o Central. Um homem de negócios, Mattos se aproveitava da popularidade de filmes que era produzidos em série, como Zorro e Tarzan, para encher o Central nos domingo.

O apogeu durou até meados dos anos 50. E seu fechamento coincidiu com a abertura do Cine Teatro São Luiz e do Cine Rex, mas esta é uma outra história.

O que assistiam naquele tempo

Divulgação
Comediantes como Charles Chaplin garantiam as gargalhadas
As comédias americanas mudas tinham lugar de destaque naqueles primeiros anos de cinema em Canoas. Comediantes como Charles Chaplin, Buster Keaton e W. C. Fields garantiam as gargalhadas enquanto estrelas como Gloria Swanson e Greta Garbo monopolizavam as atenções com histórias íntimas e humanas, que levavam às telas problemas e dramas reais cuja linguagem transcendia seu país de origem.

A memória viva do nosso cinema

Não é fácil encontrar hoje em Canoas pessoas que tenham acompanhado sessões de cinema no Cine Porcello e no Cinema Central. Para esta reportagem, nossa fonte foi Antônio Jesus Pfeil. Ator, diretor, escritor, assistente de produção, consultor de filmagem, pesquisador e documentarista, Jesus já fez de tudo quando o assunto é cinema. Aos 78 anos, afirma que conheceu todos os grandes cineastas e grandes estrelas do cinema nacional nas décadas de 40 e 50, tendo vivido de verdade o que é sonho para muitos cinéfilos. Entretanto, nada disso seria possível se ele não tivesse matado aula para assistir a filmes no Porcello e no Central. “Abandonei tudo por um sonho”, afirma. “Conheci as maiores estrelas e tive o privilégio de trabalhar com os melhores profissionais do país. Minha escola foram os filmes, não a sala de aula.”

Quando Zorro passeou pela Guilherme Schell

Arquivo Histórico
Nos primeiros anos do cinema em Canoas, a divulgação era feita a cavalo
Nos primeiros anos do cinema em Canoas, a divulgação era feita a cavalo, com os filmes sendo anunciados ao público, literalmente, no grito. Eis que nos anos 50, o cavalo ainda era usado, mas de uma forma bem mais criativa. Um membro da família Mattos, por exemplo, se vestiu de Zorro para promover uma matinê com o herói mascarado no início dos anos 50 na Avenida Guilherme Schell. Ficou o registro histórico.

Saiba mais

O cinema foi inventado em 1895, quando os franceses Louis e Auguste Lumière aperfeiçoaram o cinematógrafo. Foi dezembro daquele ano que eles exibiram um filme de 60 segundos chamado “A Chegada do Trem na Estação”, mostrando os operários de sua fábrica chegando para trabalhar. Inicialmente usado para documentar o cotidiano, não demorou muito para que o invento fosse usado por visionários para ilustrar histórias de ficção. E o resto é história.

AGRADECIMENTO

Esta reportagem contou com a colaboração mais que especial da professora e doutora Cleusa Maria Gomes Graebin, coordenadora-adjunta do Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Bens Culturais da Universidade La Salle, junto ao acadêmico de História Luiz Gustavo de Araujo Kunz. As imagens do Cine Central são do Arquivo Histórico de Canoas. E há trechos que foram extraídos diretamente do projeto "Canoas para lembrar quem somos."

A série continua ...

Leia nesta quarta-feira sobre o surgimento do Cine Rex e a ascensão da família Busato, que ousou coordenar exibições simultâneas em três salas de cinema distribuídas pela cidade.


Diário de Canoas
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