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Teste nuclear

Coreia do Norte ameaça Estados Unidos após ONU aprovar série de sanções

Em resposta, embaixador norte-coreano, Tae Song Han, disse que o país norte-americano sentirá 'a maior dor que jamais conheceram em sua história'

AFP/AFP
Estados Unidos tiveram de tirar algumas medidas de sua proposta original para obter o aval de Pequim e de Moscou
A Coreia do Norte denunciou nesta terça-feira (12) as "impiedosas sanções impostas" pelo Conselho de Segurança da ONU em função de seu teste nuclear e ameaçou infligir "uma dor maior" aos Estados Unidos. "As próximas medidas da RPDC [República Popular Democrática da Coreia, nome oficial da Coreia do Norte] infligirão aos Estados Unidos a maior dor que jamais conheceram em sua história", declarou o embaixador norte-coreano, Tae Song Han, em uma conferência sobre desarmamento em Genebra.

Com o apoio de China e Rússia, o Conselho de Segurança aprovou a iniciativa dos Estados Unidos com voto favorável dos 15 membros, um mês depois de adotar outra que vetava as exportações norte-coreanas de carvão, ferro, pescado e frutos do mar após o lançamento, em meados de agosto, de um míssil de médio alcance que sobrevoou o Japão.

Esta é a oitava série de sanções adotadas pela ONU, que tenta pressionar Pyongyang a negociar seus programas nuclear e balístico. Estados Unidos, Reino Unido, França e Itália, entre outros países, concordam em que a nova resolução é "muito sólida", "equilibrada" e manifesta a "unidade" e a "determinação" do órgão para abordar o problema.

"Não buscamos uma guerra", assegurou a embaixadora americana, Nikki Haley, após a votação. Na segunda-feira, Nikki admitiu que a Coreia do Norte não havia "atravessado um ponto sem retorno".

Seul celebrou a resolução, qualificada de "severa advertência" contra Pyongyang. "A Coreia do Norte deve compreender que a desnuclearização é o único caminho que lhe garante segurança e desenvolvimento econômico", estimou o governo sul-coreano em um comunicado.

Já o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, "apreciou altamente" o texto, que mostra que "a comunidade internacional deve acentuar a pressão sobre a Coreia do Norte a um nível sem precedentes" para que "mude sua política".

O primeiro projeto de resolução previa um embargo total sobre o petróleo, produtos derivados de petróleo e gás, o reenvio para a Coreia do Norte de seus expatriados, o congelamento de bens de Kim Jong-un, a proibição das exportações de têxteis e a inspeção de embarcações suspeitas de transportar para a Coreia do Norte carga afetada pelas sanções.

Os Estados Unidos tiveram de tirar algumas medidas de sua proposta original, porém, para obter o aval de Pequim e de Moscou. Após dias de negociações, o embargo sobre o gás natural foi mantido, mas o texto prevê limitar o fornecimento de petróleo à Coreia do Norte ao nível que tem sido adotado nos últimos 12 meses.

A resolução limita a entrega de produtos derivados de petróleo a 500 mil barris durante três meses, a partir de 1º de outubro, e a dois milhões de barris durante 12 meses, a partir de 1º de janeiro de 2018.

Isto representa um corte de 10% desses produtos, segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos, que calcula que a Coreia do Norte importe 2,2 milhões de barris ao ano. O regime importa gasolina e diesel principalmente da China, vitais para garantir o funcionamento dos setores agrícola, militar e de transportes.

Aliado mais importante de Pyongyang, Pequim se negou a avalizar o embargo total petroleiro proposto por Washington, alegando que deixaria a economia norte-coreana em frangalhos.

Durante as discussões, o congelamento de bens do líder norte-coreano, rejeitado por Moscou, foi retirado do texto. Os Estados Unidos garantem que não desejam mudar o regime norte-coreano.

O texto também restringe os países-membros das Nações Unidas que poderão oferecer novas permissões de trabalho a cidadãos norte-coreanos. Cerca de 93 mil cidadãos trabalham no exterior, tornando-se uma importante fonte de renda para financiar o programa de armamento de Pyongyang, segundo uma fonte americana.

Especialistas são céticos quanto ao alcance das medidas, considerando que as sanções anteriores não impediram o desenvolvimento do programa armamentista do país.

"Não é o suficiente para fazer doer", estimou Go Myong-Hyun, do Instituto de Estudos Políticos.

Para o professor Kim Hyun-Wook, da Academia Diplomática Nacional da Coreia, "as sanções dão a Pyongyang uma desculpa para novas provocações".



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