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Terrorismo

Carro atropela soldados em subúrbio de Paris e deixa seis feridos

Em 2017, foram impedidas sete tentativas de atentado na França

Thierry Chappé/Thierry Chappé/AFP
Funcionários e socorristas ajudam soldados atingidos por veículo
Um automóvel atropelou um grupo de militares nesta quarta-feira (9) em um subúrbio ao noroeste de Paris, uma ação que deixou seis feridos e levou a Justiça antiterrorista a abrir uma investigação. O ataque aconteceu às 6 horas GMT (3 horas de Brasília), no centro de Levallois-Perret, localidade limítrofe com Paris, e o veículo fugiu depois da ação.

Os alvos eram militares da operação antiterrorista Sentinelle, que protege locais considerados sensíveis na França após uma onda de atentados extremistas. "O autor, em fuga, é ativamente procurado pelas forças de segurança. A investigação determinará as motivações", disse a ministra das Forças Armadas, Florence Parly, que condenou "um ato covarde".

Stephane de Sakutin/Stephane de Sakutin/AFP
Policiais trabalham no local do atentado fora de um quartel militar no subúrbio parisiense de Levallois-Perret, no noroeste do país
A ministra afirmou que, dos seis militares atropelados, três sofreram ferimentos graves, mas estão "fora de perigo". A unidade antiterrorista do Ministério Público de Paris iniciou uma investigação por "tentativa de assassinato relacionada a um ato terrorista".

Desde janeiro de 2015, a França registrou vários atentados extremistas que deixaram 239 mortos. Nos últimos meses, os criminosos se voltaram, sobretudo, contra as forças de segurança presentes em locais emblemáticos da capital do país.

A prefeitura de Hauts-de-Seine, departamento em que fica Levallois-Perret, citou "um ato, a princípio, deliberado" ao mencionar o incidente, que aconteceu quatro dias depois de uma agressão contra soldados da mesma operação na Torre Eiffel de Paris.

O atropelamento aconteceu diante de um quartel militar no centro de Levallois-Perret. "Um veículo acelerou quando os militares saíam do quartel", afirmou Patrick Balkany, prefeito da localidade, considerada tranquila e segura. Segundo ele, a cidade nunca havia registrado incidentes.

A polícia isolou a área do ataque. Parte da prefeitura foi cedida aos militares da operação Sentinelle. Criada após o ataque de 7 de janeiro de 2015 contra a redação da revista satírica Charlie Hebdo, essa operação mobiliza 7 mil soldados em todo o território nacional, metade deles na área metropolitana de Paris.

O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou em julho que o dispositivo seria revisto em busca de "maior eficácia operacional, levando em consideração a efetividade e a evolução da ameaça".

O uso de milhares de soldados provoca debate na França. Alguns políticos, especialmente de direita, e militares questionam a eficácia em relação ao esforço solicitado às Forças Armadas, já muito comprometidas com operações no exterior e em um contexto de problemas no orçamento.

Policiais e militares franceses foram alvo de ações violentas atribuídas, ou reivindicadas por islamitas nos últimos meses. Em 19 de junho, um homem considerado pelo serviço de segurança como um islamista radical avançou com um carro com botijões de gás, armas e munições contra uma viatura da polícia na avenida Champs Élysées, sem provocar uma explosão.

Em maio, três dias antes do segundo turno da eleição presidencial, um homem matou um policial e feriu outros dois a tiros, na mesma avenida. Soldados da operação Sentinelle foram alvos de ataques em Nice em fevereiro de 2015, no aeroporto parisiense de Orly em abril do mesmo ano e em março passado e na galeria comercial do Museu do Louvre em fevereiro de 2017.

No sábado passado, um jovem internado em um centro psiquiátrico, mas com uma permissão de saída, tentou atacar um guarda na Torre Eiffel. Após a detenção, afirmou que desejava "cometer um atentado contra um militar" e foi novamente internado.

O governo anunciou no início do mês que as autoridades impediram sete tentativas de atentado em 2017. A França, que participa na coalizão militar internacional contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque, está na mira dos extremistas.

O estado de emergência declarado após os atentados de novembro de 2015 acaba de ser prorrogado até 1º de novembro.


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