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Imunoterapia

Medicamento pode ser início do fim da quimioterapia

Tratamento contra câncer é baseado em característica genética específica

Keytruda/Divulgação
Pembrolizumab já tem aprovação no Brasil para o tratamento de melanoma e câncer de pulmão.

O Food em Drug Administration (FDA), órgão do governo norte-americano, aprovou o uso de medicamento que pode ser o início do fim da quimioterapia e radioterapia convencional como se conhece. “Dizer que é o fim de fato seria muito otimista”, observa o oncologista e pesquisador Stephen Stefani, do Hospital do Câncer Mãe de Deus, de Porto Alegre. O Pembrolizumab é orientado para lesões que têm uma característica genética específica (biomarcador), independente do local onde o câncer iniciou. Esta é a primeira vez que a agência aprovou um tratamento contra a doença com base em um biomarcador comum em vez da localização no corpo onde o tumor se originou. “É uma mudança importante na forma que a medicina vem construindo seus progressos, quando o macroambiente tumoral definidamente assume um papel tão importante que define a estratégia terapêutica”, aponta o médico, que também é um dos autores de um artigo sobre biomarcadores publicados na revista The Lancet Oncology no ano passado.

O Pembrolizumab (nome comercial Keytruda) já tinha aprovação no Brasil para o tratamento do melanoma (um tipo agressivo de câncer de pele) e câncer de pulmão. Agora, passa a ser aprovado nos Estados Unidos para o tratamento de pacientes adultos e pediátricos com tumores sólidos não ressecáveis ou disseminados que foram identificados como tendo um biomarcador chamado de instabilidade de microssatélites alto (MSI-H) e falha na reparação inadequada (dMMR). Esta indicação abrange pacientes com tumores sólidos que progrediram após o tratamento prévio e que não têm opções de tratamento alternativas satisfatórias. Um total de 15 tipos de câncer foram identificados em 149 pacientes com o biomarcador. A aprovação foi baseada na taxa de 40% de pacientes que tiveram redução das lesões por tempo considerado prolongado, sendo que 80% das vezes a doença foi controlado por mais de seis meses.

Mudança

Hospital Mãe de Deus/Divulgação
Stephen Stefani, oncologista e pesquisador
O que chama a atenção, segundo o médico, é que agora o uso do medicamento foi aprovado nos EUA independente de qual for o tumor. “Muda o paradigma, porque até então era importante saber onde começou o câncer, com isso, segue sendo importante, mas passou a ser só mais uma informação. Não estou achando que será possível parar de fazer quimio, mas para pacientes que expressam biomarcador, o medicamento pode ser uma melhor opção para ele. É uma mudança inédita na história da oncologia, não tinha visto da imunoterapia funcionar como hoje”, comenta Stefani. De acordo com ele, o paciente ter biomarcador não é inédito, mas hoje há marcadores bem mais complexos que oferecem mecanismos de ação mais sofisticados. “Não é o conceito que é recente, o que é recente é estar funcionando tão bem”, aponta.

O que são os biomarcadores

O câncer mata células tumorais e a quimioterapia e a radioterapia danificam as células, mas nem sempre é um dano seletivo, o que explica porque estes tratamentos têm efeitos colaterais significativos. “Existem células com características específicas e a partir de testes se identifica se têm marcadores que vão assinalar se essa célula pode ser mais sensível a certos tratamentos”, explica Stefani. Agora, antes de decidir qual o tratamento que será utilizado, é preciso saber se o paciente expressa estes biomarcadores e aí a imunoterapia surge como opção, com menos toxicidade. Dependendo do tipo de tumor, o tratamento envolverá marcador e medicamento. “Há vários marcadores para câncer de pulmão, intestino, câncer de mama. São marcadores diferentes para tumores diferentes”, esclarece.

Acesso a medicamentos

Apesar de promissor, existem questões que não estão resolvidas, alerta Stefani, como definir claramente critérios de resposta ao tratamento, já que os critérios tradicionais, a exemplo da redução do tumor, nem sempre estão correlacionados com impacto prognóstico. Com estes medicamentos, pode haver ganho no tempo e qualidade de vida. Outra questão prática será o acesso a esses remédios, que têm custos que podem chegar a valores que variam entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão por ano. “É um desafio mundial. Assusta muito o fato de serem absurdamente caros, mas possivelmente nenhum medicamento tenha possibilidade tão real de fazer com o que paciente esteja vivo e livre da doença após vários anos”, diz.


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