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Gestão

Busato com os pés no chão

Prefeito de Canoas destaca o que já foi feito nos seis primeiros meses de governo

PAULO PIRES/GES
Luiz Carlos Busato fala dos desafios nos seis primeiros meses de governo
Seis meses não são 100 dias. Seis meses não são quatro anos. O tempo de mandato do prefeito Luiz Carlos Busato fechou seis meses. Não é pouco e nem é muito. É sim tempo suficiente para Canoas ter mostrado alguma mudança. Algum progresso. E isso aconteceu, na opinião do homem que hoje é responsável pelas principais decisões tomadas na cidade. Em entrevista concedida ao Diário de Canoas, Busato passou a limpo os seis meses. Contou um pouco do que fez e do que pretende fazer pelo município.

O prefeito não fugiu de temas espinhosos como a saúde, deixando claro que não está nada feliz com a administração do grupo Gamp, e também deixou claro que se a obra do aeromóvel não sair, tudo bem. Canoas buscará alternativas mais “pés no chão” para a mobilidade do que um “trenzinho”. Realista, Busato disse o governo e a cidade ainda estão longe do ideal, mas pediu paciência à população. Afinal, se passaram seis meses e não quatro anos. Ainda há tempo para que sejam feitas melhorias não só na saúde e no transporte, mas também na educação, segurança, esporte.

CONSCIENTIZAÇÃO

Ciente de que pode fazer a diferença na vida dos canoenses, o prefeito de Canoas só mostrou um certo abatimento ao falar do lixo. É que apesar de todo o trabalho feito pela administração municipal durante seus primeiros meses de governo, quando toneladas de resíduos foram recolhidas das ruas, o esforço não está sendo acompanhado pela conscientização da população, que continua despejando lixo em igual proporção pelo município. Essa, em resumo, não é uma questão que dependa só da atuação de máquinas e homens. É necessário que cada canoense faça a sua parte, segundo Busato.

ENTREVISTA - Luiz Carlos Busato - prefeito de Canoas

Diário de Canoas – Há três meses, conversamos sobre os 100 dias de governo. Na época, muitas pessoas diziam que nem viam o prefeito. No entanto, conforme acompanhamos sua recente passagem pelo Guajuviras, a situação é outra. Algumas pessoas se aproximam não para pedir, mas para agradecer. Significa que o governo tomou o rumo esperado?

Luiz Carlos Busato – Ainda não está nem perto daquilo que nós queremos. Até agora só temos apagado incêndios, tentado minimizar uma demanda deixada pelo governo anterior. Na área da saúde, por exemplo, nem começamos a trabalhar em demandas do nosso governo. Só estamos trabalhando na demanda reprimida. Eram 153 mil procedimentos à espera. Atacamos nessa frente, mas ainda não conseguimos trabalhar naquilo que nós queremos, que é ter bons postos, um número de médicos adequados e um agendamento no qual o camarada marque uma consulta e em seguida seja atendido. Mas conseguimos zerar a demanda reprimida e partir de agora vamos fazer o planejamento para colocar a casa em ordem.

DC – Por falar em saúde, nossa redação continua recebendo reclamações e denúncias no que diz respeito ao grupo Gamp. Como anda a relação da administração com o grupo?

Busato – Tivemos uma fase inicial de total descontrole, no qual nem eles sabiam o que estavam fazendo, porque tinham recém assumido, e nem nós tínhamos ainda qualquer relação de proximidade com eles. Eles melhoraram o serviço, mas ainda não está nem perto daquilo que nós gostaríamos. Nós ajustamos o Gamp até aquilo que nós gostaríamos. Eles vieram até nós. E melhoraram. Mas agora, em uma segunda fase, estamos com muita dificuldade de conseguir aquilo que queremos. Estamos cobrando tudo por escrito. E estamos dando prazos.

DC – Então existe possibilidade de rompimento deste contrato?

Busato – Existe, sim. No início do ano, nós começamos a trabalhar com o intuito de romper o contrato, mas vimos que não dava porque existe uma licitação feita. Só que hoje, em função dos seis meses de atendimento que eles estão prestando para nós, estamos cobrando e demonstrando que, em função do não atendimento de alguns requisitos, nós podemos partir para um estudo do rompimento do contrato. Porque eles não estão atingindo a qualidade que nós queremos. E nós não vamos ser coniventes ou amenizar. Vamos cobrar o que tem que ser cobrado.

DC – E quanto ao Gracinha?

Busato – Nossa relação com o Nossa Senhora das Graças está bem melhor do que no início do governo. Até porque o hospital entendeu a necessidade de eles se autocontrolarem. Quando chegamos, havia um descontrole geral em procedimentos, medicamentos, etc. Então, apertamos os pagamentos e começamos a pagar só por aquilo que é prestado. Eles


"Ainda não está nem perto daquilo que nós queremos. Até agora só temos apagado incêndios"
sentiram. O hospital está longe ainda de prestar um bom atendimento à população porque ele ainda tem deficiências sérias. E isso não é uma coisa da nossa competência. Não é a prefeitura que administra. Existe uma associação que dirige, mas estamos regulando os pagamentos para que eles prestem os serviços direito. Isso fez com que eles passassem a trabalhar nesse sentido. Um exemplo é a neurologia. Nós pagávamos 200 atendimentos por mês e eram feitos zero. Hoje, se pagamos, ao menos é porque algum serviço é prestado.

SEGURANÇA PÚBLICA

DC – Que outro setor tem tirado o seu sono tanto quanto a saúde?

Busato – Me preocupo muito com a segurança. Temos sido incansáveis na luta por mais segurança, mas é um assunto que só podemos trabalhar até certo ponto, depois foge da nossa alçada. Diminuímos muitos índices, mas não conseguimos influir na criminalidade. E por isso vamos partir agora para investimentos ainda maiores, entregando viaturas, instalando câmeras...

DC – Conversei com o proprietário de uma churrascaria da cidade que diz ter perdido parte da clientela não por causa da crise, mas porque o canoense não acha seguro sair à noite...

Busato – Este não é um problema de Canoas, mas sim do Brasil inteiro. Compramos 32 viaturas. Vamos fornecer 22 para o Estado e o restante fica para nós. Porque se tu colocar uma carro com giroflex ligado, já dá uma sensação de segurança. Já gastamos R$ 8 milhões auxiliando na segurança, colaborando com a Brigada Militar, a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros, todo mês. São contas que o Estado deveria pagar, mas somos nós quem pagamos.

DC – E o senhor acha que o presídio também está andando como deveria?

Busato – Estamos fazendo tudo que é possível, mas nem tudo sai como o planejado, porque não depende só de nós. E mais: até por estarmos recebendo quase três mil vagas no presídio, acho que merecemos um tratamento diferenciado no setor da segurança. Só espero que venha o número de brigadianos que nós estamos cobrando do Estado. Tem 150 em formação aqui mesmo. Eu queria que ficassem aqui todos. Sei que não é possível, mas eu queria. E vou cobrar.

DC – E com a volta do frio e da chuva, a Defesa Civil volta a se preocupar com áreas alagadiças, porém o que mais pode ser feito? Em Cachoeirinha, por exemplo, o governo retirou os moradores de uma área que era problema há décadas.

Busato – Aqui não é a mesma coisa. Como é que podemos tirar os moradores da Praia do Paquetá? Muitos vivem da pesca. No Mato Grande também. Não tem como tirar. Estamos batalhando por verbas para melhorar a infraestrutura nas nossas casas de bombas. E a Defesa Civil está atuando, fazendo um trabalho pedagógico nas escolas próximas a estas áreas e de assistências às famílias.

MOBILIDADE URBANA


"Só espero que venha o número de brigadianos que nós estamos cobrando do Estado"
DC – E quanto à mobilidade? Afinal, essa foi uma das teclas mais batidas pelo senhor durante sua campanha, mas as reclamações dos moradores continuam. Houve algum avanço?

Busato – Nós estamos cobrando da Sogal a atualização da frota, independente da licitação que será feita no ano que vem. Eles colocaram 16 ônibus novos nas ruas. Estamos cobrando para colocarem mais dez executivos. E vamos continuar cobrando até chegar aos 40 que eles têm que colocar e que estão vencidos. Isso tudo dentro dos prazos que estamos determinando. A gente fez a empresa ver que eles têm que estar com a frota em dia, senão eles não podem participar da licitação.

DC – E sobre o aeromóvel?

Busato – Isso é outra coisa. Nós estamos embutindo dentro da licitação todos os custos do financiamento. Ou seja, o projeto que o Jairo (Jorge, ex-prefeito) tinha era que nós pagássemos o financiamento de R$ 272 milhões, que chegaria a R$ 600 milhões. Não. Estamos reformulando a proposta. E estamos botando tudo para dentro do custo de quem for fazer a obra. Se alguém se interessar, tudo bem. Senão, não vai sair.

DC – Isso quer dizer que o projeto pode ser deixado de lado?

Busato – Se ninguém se interessar, pode não sair. Inclusive a nova proposta diz que a empresa que assumir deverá pagar até o que já foi pego do valor. É que dos R$ 272 milhões, R$ 63 milhões já foram pegos pelo governo anterior. Nós já devemos esse valor para a Caixa. Então, a empresa que ganhar vai ter que pagar esse empréstimo também.

DC – Prefeitos da região estiveram em seu gabinete na semana passada, procurando o Busato presidente da Granpal. Vieram atrás de auxílio para buscar verbas para a mobilidade, trancadas devido a projetos parados na Metroplan. Só que Canoas não pode participar dessa briga porque “escolheu” o aeromóvel. O senhor também queria uma fatia desse bolo?

Busato – Eu preferia estar brigando por verba para renovar a Avenida Rio Grande do Sul e a Boqueirão, que é algo parecido com o que os prefeitos estão batalhando para suas cidades. São alternativas muito mais pés no chão para a mobilidade do que o aeromóvel. Meu desejo seria revitalizar a Rio Grande do Sul com ciclovia, paradas, canteiros, mas não posso fazer nada por causa do aeromóvel. Eu não vou sacrificar investimentos na área da saúde, da segurança, da educação por causa do aeromóvel, que é o projeto de um trem que não resolve o problema de mobilidade. Ninguém vai me convencer que um trenzinho colocado na Boqueirão iria resolver o problema da comunidade.

EDUCAÇÃO

DC – Existe uma escola chamada Assis Brasil que, a cada vez que chove, a aula é suspensa. O que pode ser feito?

Busato – Temos o projeto Canoas Mãos à Obra, que não vai contemplar só as escolas, mas também postos de saúde. Nós vamos em cada escola e vamos fazer um check-list do que estão precisando. Tem laboratório de informática? Não. Então vai ter que ter. Tem câmeras de segurança? Não. Vai ter. Vamos averiguar as condições físicas de cada instituição, fazer igual ao que estamos fazendo no Prefeitura Mais Perto. A Assis Brasil, no Mato Grande, a gente vai ter que fazer uma escola nova. Todas vão passar por reforma.

DC – Aproveitando que o senhor citou o Prefeitura Mais Perto, o evento no Guajuviras na última semana foi um sucesso. Quantas edições ainda serão feitas?

Busato – Queremos pelos menos 20 até o final do mandato. Média de uma edição a cada dois meses. Agora vamos atacar no bairro Rio Branco ou no Niterói. Nossa presença na Escola Carlos Drummond de Andrade, no Guajuviras, foi irrepreensível. Lá no Thiago Würth, no Mathias Velho, tivemos problemas porque foi a primeira. Entramos para dentro da escola e só daí percebemos que havia muito mais coisas a serem feitas. No Guajuviras, não. Fomos um mês antes e planejamos. E a comunidade compareceu e participou. Foi incrível.

DC – Por falar em participação, fui a um jogo de futebol no fim de semana no Frigosul e tinha uma dúzia de pessoas assistindo. O senhor já comentou que iria revitalizar a várzea. Então, quando é que Canoas vai ser a cidade do esporte?

Busato – Prometi e vamos fazer um trabalho de revitalização dos nossos clubes. Mas acontece que não vai dar para fazer tudo neste ano. Tem muita coisa que estamos preparando para o nosso segundo ano. Podem me cobrar, porque a visão do esporte em Canoas vai ser outra. O Centro de Iniciação do Esporte, por exemplo, será um empreendimento enorme ali no Mathias Velho. Se identificarmos um menino que é bom judoca que vive no Rio Branco, vamos levar para o Centro. Será dada toda a estrutura para ir, treinar e voltar para casa. E daqui há três anos vamos ter canoenses competindo por medalhas. Ao mesmo tempo, aumentamos os repasses às entidades. É um trabalho em desenvolvimento.

DC – Como a prefeitura está se preparando para a Oktoberfest e o Enart?

Busato – A Oktober não é um evento nosso, que fique claro. É um evento privado que vai acontecer no Parque Eduardo Gomes. Vamos fornecer o policiamento nos entornos, e não muito mais que isso. Já o Enart é outra história, porque me comprometi com a gauchada de nós trazermos para cá. Conseguimos e vamos dar todo o amparo. Ainda vamos ter a Semana Farroupilha, que será bastante incrementada. E em novembro queremos preparar um evento para quem gosta de carros antigos, com shows de grandes artistas. E tem o nosso Natal, que vamos levar para os bairros.

DC – E vai ser com ou sem garrafa PET?

Busato – Pode até ter, mas não vai ser como era antes. Fui ao município de Mariana Pimentel, no sul do Estado, e vi um trabalho feito com garrafas PET que era magnífico. Tinha umas esculturas lindas. Talvez faremos algo do tipo. O que queremos mesmo é decorar com iluminação os centros comerciais nos bairros, que era uma reivindicação antiga dos moradores e comerciantes.

DC – O prefeito quer deixar algum recado aos canoenses após estes seis primeiros meses de governo?

Busato – Eu queria falar do lixo. Temos trabalhado muito nessa questão, mas é decepcionante o que estamos observando. Não adianta ficarmos só recolhendo lixo se a nossa mentalidade não mudar. Todo esse lixo vai parar nos bueiros. Tenho acompanhado todos os finais de semana o trabalho que é feito nos bairros, mas ele parece não surtir efeito devido a quantidade de lixo que aparece a cada semana. Fora isso eu só queria dizer que é impossível colocarmos em prática tudo o que planejamos, mas estamos trabalhando muito pela cidade. Afinal, foram seis meses.


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