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Centro

Nunca se viu tantos índios antes em Canoas

Presença indígena tem sido observada por comerciantes e lojistas do Centro

Com um bebê de 3 meses no colo, Adriana Flores chama atenção de quem passa pela calçada da 15 de Janeiro"Eu nunca vi tantos índios assim aqui no Centro", apontou a vendedora Dulce Brito. "Sempre teve índios aqui na volta do Calçadão, mas nunca tinha visto tanta gente. Em cada esquina tem um", diz. É verdade. A população indígena "invadiu" a área central como nunca antes. São homens, mulheres e, principalmente, crianças oriundos de diversos territórios. São tribos diferentes, porém convivem pacificamente ao longo das calçadas da 15 de Janeiro.

Não se houve reclamações de lojistas e comerciantes em geral, porém muitos têm pena – a palavra é essa mesmo – das condições das crianças, algumas parecendo famintas; outras de pés descalços. Adriana Flores, por exemplo, chamava a atenção de todos que passavam pela 15 na tarde desta sexta-feira. Menos pelos artigos que estava vendendo na calçada do que pelo neném de três meses que mantinha no colo.

Conforme conta, deixou Charqueadas rumo a Canoas só para vender suas peças de artesanato, como onças e arcos e flechas, confeccionadas de madeira. Aos 15 anos, a índia tupi-guarani disse retornar para casa todos os dias no final da tarde com a pequena Taise a tiracolo, mais o grupo que a acompanha. É uma jornada cansativa, mas que compensa. "As vendas estão boas. E o pessoal deixa boas gorjetas", fala, baixinho, apontado para um cesto cheio de moedas, a maioria de R$ 1 e 0,10.

Segundo o também tupi-guarani Eduardo Lami, a presença mais concentrada em Canoas não significa migração e aparentemente é aleatória. "Ninguém fica combinando se reunir em Canoas", disse o veterano. "Muitos são de lugares diferentes. A gente vem para onde acha que vai conseguir trabalhar. Se não der dinheiro aqui, vamos a outro lugar", resume bem o homem de 47 anos.

Português mais compreensível

Leandro Domingos/GES-Especial
Comerciante kaingang vende meias, toucas e mantas, além de artigos de sua aldeia
Na esquina das ruas 15 de Janeiro com a Fioravante Milanez é possível encontrar o Arlipio Mineiro. O comerciante kaingang está trabalhando na área há quase dois anos, quando chegou direto de Iraí, no interior gaúcho. Eis o motivo que seu português é bem mais compreensível. No local, vende meias, toucas, mantas, mas também artigos genuínos de sua aldeia, como arcos e flechas. "Eu não seria índio se não carregasse um arco", brinca.

Apesar de estar há tempo atuando no Centro, Mineiro disse não conhecer nem a metade dos índios que circulam pela cidade. São tantos e de tantos lugares diferentes que ele nem reconhece alguns sotaques. "Tem alguns que eu sei que são kaingangs; outros são tupi-guarani, mas também tem uns que eu nem faço ideia", confessa. "Mas eu sei que a maioria quer o mesmo que eu. Que volte o inverno para conseguirem vender bem as suas peças da estação."

Ajuda mais do que bem-vinda

A vendedora Ana Dutra Silva é uma das trabalhadoras que se sensibiliza pela presença dos índios no Centro. Disse que conversa com todo mundo. Já falou com indígenas de todas as partes, mas a maioria vem de Barra do Ribeiro mesmo. Mais do que conversar, ela conta ajudar os pequenos com roupas e comida sempre que pode. "Não sou só eu quem ajuda", garante. "A gente vê os pequenos de pés no chão e não dá para ficar indiferente", desabafa. "E parece que todos eles têm um filho pequeno. Porque são muitas crianças."

Arlipio Mineiro trabalha há quase dois anos na 15 de Janeiro

Impressionante

A comerciante Isabela Menezes disse nunca ter se incomodado com nenhum índio. Ao contrário, são os melhores "pagadores" que ela tem. Chegam aqui, pegam o que querem na barraquinha, e pagam direitinho. São uns amores", elogia. "Mas o que fico impressionada mesmo é que até os mais pequenininhos entendem de dinheiro. Contam até os centavos na frente da gente. A gente esquece que isso tudo era deles antes de ser nosso."

Nada a declarar

Ninguém sabe ao certo quantos índios têm circulado pelo Centro, se são dezenas ou mesmo uma centena. Via assessoria de comunicação, a Prefeitura de Canoas informou não poder se posicionar a respeito dos índios que tem marcado presença em grande número no Centro. É que mesmo em terras canoenses, este é um assunto a ser tratado somente com a Fundação Nacional do Índio (Funai).

Sem resposta

Nossa reportagem tentou contatar a Fundação Nacional do Índio (Funai) por meio de sua assessoria de comunicação, porém até o fechamento desta edição, não obteve qualquer resposta por parte do órgão que cuida do índio oficialmente no Brasil.


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