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Gilson Luis da Cunha

A festa que amamos odiar

''Acompanho o Oscar desde os anos 70. Sou da geração que viu o nascimento dos blockbusters.''

Gilson Luís da Cunha*

*Doutor em Genética e Biologia Molecular pela Ufrgs, Old School Nerd, fã incondicional de livros filmes, séries e quadrinhos de ficção científica, fantasia e aventura.

Todo ano, prometo a mim mesmo que não perderei um segundo assistindo à cerimônia de entrega do Oscar. Razões não faltam: os lobbys em favor de certos filmes, atores ou técnicos, são tão descarados que chegam a dar vergonha alheia. Mas é inútil. O Oscar é a festa que amamos odiar. Não precisa se justificar. A menos que você seja o Dalai Lama ou não esteja nem aí para a sétima arte, tenho certeza de que já se indignou com certas premiações. Acompanho o Oscar desde os anos 70. Sou da geração que viu o nascimento dos blockbusters. Foi uma época de transição. Os musicais deixaram de ser moda, mas ganharam em produção. O western deixou de ser pop e virou cult. E a ficção científica saiu do gueto do filme B e virou um dos gêneros mais rentáveis do cinema americano. Mas o Oscar, quase que o tempo todo, nunca refletiu os anseios do público. Existe a piada de que filme sem lágrimas não ganha Oscar. Drama acima da comédia. Reflexão acima da ação (arte tem que ser cerebral, ou não é arte). A busca da Academia por respeitabilidade, com frequência, oscila entre o sublime e o patético. A primeira vez que notei isso foi em 1982: Carruagens de fogo levou o prêmio de melhor filme, roteiro, figurino e trilha sonora. O prêmio de melhor filme foi uma daquelas premiações embaraçosas. A imprensa da época foi unânime em afirmar que o prêmio teve como propósito dar “uma forcinha” para a então combalida indústria cinematográfica britânica. Mas o “desvio de função” do Oscar não parou por aí. Em 1985, fiquei atônito ao assistir à cerimônia. O Oscar de melhor maquiagem foi para as perucas e o pó de arroz de Amadeus, que, inexplicavelmente, venceram os macacos hiper-realistas de Greystoke, A lenda de Tarzan. E as injustiças continuaram: em 2006, Ennio Morricone, maestro com dúzias de obras-primas, até então sem Oscar, teve que aturar a humilhação de receber um Oscar “pelo conjunto da carreira”, na mesma noite em que Gustavo Santaolalla vencia pela enfadonha Brokeback Mountain. Jeff Bridges já foi indicado ao Oscar por Starman. Mas não levou. Afinal “que ator respeitável faria papel de alienígena, não é? ” Sigourney Weaver foi indicada ao Oscar 1987 por Aliens, O Resgate. Não levou, apesar de dar um show de atuação poucas vezes visto em filmes de ação ou ficção científica. Depois desses e de outros resultados, larguei de mão. E me dei mal. Em 2003, O Senhor dos Anéis, o Retorno do Rei, levou quase todos os prêmios da noite. Nunca me ocorreu que a academia decidisse premiar a hercúlea tarefa de Peter Jackson: filmar uma obra tida como infilmável durante mais de 40 anos. Mas a última edição do Oscar foi de lavar a alma. Uma falha da equipe organizadora acabou gerando uma das cenas mais involuntariamente engraçadas de todos os tempos: A equipe de La la Land, o grande favorito, sobe ao palco, faz discurso, e descobre, no meio do discurso, que o ganhador foi, na verdade, o drama Moonlight. Tentaram jogar a culpa em Warren Beatty e Faye Dunaway. Que absurdo. Será que foi o carma? Não duvido. Vida Longa e próspera e que a força esteja com vocês. Até domingo que vem.


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