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Pesquisas

Especialistas estudam marcas deixadas após as chuvas de Rolante em janeiro

Profissionais mapearam cerca de 350 cicatrizes após o desastre do Rio Mascarada

Departamento de Recursos Hídricos do RS e Grupo de Pesquisa em Desastres Naturais / Divulgação
Escorregamentos de terra são visíveis na região de Alto Rolante
Pouco mais de um mês após a enchente histórica que invadiu as cidades de Rolante e Riozinho, no Vale do Paranhana, ainda são encontrados danos, onde o verde da natureza abriu espaço para cerca de 350 escorregamentos de terra na região de Alto Rolante. Publicado ainda em janeiro pelo Departamento de Recursos Hídricos, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e pelo Grupo de Pesquisa em Desastres Naturais (GPDEN), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), o diagnóstico preliminar visa dar uma resposta técnica à sociedade referente ao corrido no dia 5 de janeiro e que deixou um cenário de devastação.

A observação dos deslizamentos ainda é de caráter parcial, pois a imagem obtida por satélite apresenta cobertura de nuvens, mas foi possível elaborar pelos profissionais o inventário preliminar de cicatrizes que ocorreram após os deslizamentos. A engenheira ambiental Marcela Nectoux, também técnica da sala de situação do Departamento de Recursos Hídricos da Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, pontua que no inventário foram identificados preliminarmente aproximadamente 350 cicatrizes de escorregamento. “Podem existir cicatrizes de eventos de deslizamento antigos, mas este número se refere especificamente ao levantado após o evento do dia 5 de janeiro”, ressalta.

A engenheira afirma ainda que, o grupo de trabalho percorreu a região de São Francisco de Paula e Rolante. “Foi sim a bacia do Rio Mascarada uma das mais atingidas”, afirma. “Os deslizamentos atingiram cerca de 230 hectares, segundo o nosso levantamento.”

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Apesar das conclusões, não foram feitas na elaboração do inventário uma distinção entre áreas de ruptura da encosta, áreas de transporte e áreas de deposição dos sedimentos, sendo apenas excluídas as áreas de transporte de sedimento pelo rio. Embora a imagem de satélite tenha possibilitado a criação do inventário preliminar de escorregamentos, muitos, em campo, foram observados e se apresentaram menores que a resolução espacial das imagens de satélite, não sendo identificados.

Mais escorregamentos

O estudo do diagnóstico preliminar caracteriza, ainda, outros escorregamentos de menor parte que ocorreram em meio à floresta e não tiveram energia suficiente para derrubar árvores, e assim também não foram identificados pela imagem de satélite. Desta maneira, destaca-se que o número de cicatrizes de escorregamento e a área total afetada pelo fenômeno excede os valores estimados preliminarmente. Apesar de não estarem completamente claras ainda as possibilidades de formação de barragens no leito do rio pelos sedimentos oriundos dos escorregamentos, e o quanto isso contribuiu para a forma da cheia, é certo que o grande volume de escoamento superficial de água na bacia hidrográfica a montante da cidade de Rolante resultou em uma grande cheia no Rio Mascarada.

Como são caracterizadas

As cicatrizes são detalhadas como as marcas que ficam após o evento do deslizamento, no qual uma grande quantidade de sedimento e vegetação se desprende da encosta por causa da grande quantidade de chuva. “A hipótese com a qual estamos trabalhando é que uma grande quantidade de chuva, em um curto espaço de tempo, provocou o deslizamento e este sedimento que chegou até o rio agravou sim a enxurrada que atingiu Rolante”, garantiu Marcela.

A estimativa mais apurada do número de cicatrizes e área atingida depende da aquisição de imagens aéreas em resolução compatível com o fenômeno analisado. Os escorregamentos ocorridos na bacia do Rio Mascarada foram, em sua grande maioria, do tipo translacional raso, caracterizados por exibirem uma superfície de ruptura de geometria plana. Em alguns pontos, o material desprendido pelos escorregamentos convergiu para o canal, provavelmente, possibilitando a formação de fluxos de detritos conforme o infográfico. O material desprendido também apresenta grande quantidade de árvores, visto que a maior parte da área afetada por escorregamentos incidiu sobre regiões florestadas. Desta maneira, os escorregamentos depositaram no canal uma grande quantidade de material grosseiro, que pode ter influenciado nas condições do fluxo de água.

Mais de 20 anos trilhando e Rolante de um jeito jamais visto

A motocicleta é sua companheira para desbravar trilhas pelo Rio Grande há mais de 20 anos. Assim, Walterez Bernhardt, de São Francisco de Paula conta que ele e seu parceiro de trilhas, Nelson Magalhães, estavam bastante acostumados a passar por Mascarada, em Rolante e Rincão dos Kroeff, em São Francisco de Paula e nunca viram nada parecido quanto às cicatrizes deixadas pelos deslizamentos de terra. “A última vez que estivemos pela região foi em dezembro, e a vegetação não tinha esses rombos que hoje vemos naquela área”, conta.

No último sábado (11), os dois iniciaram a trilha com suas motocicletas desde o plano de Mascarada até o topo. “Foi muito difícil pelo número de barreiras encontradas no caminho. Muitas partes estavam estáveis, tanto que um carro ali não passa.” Bernhardt confirma que um morador da região relatou chuva vindo com muita força para Rolante no dia da enxurrada. “Acreditamos que a água veio fora do normal e ocasinou aqueles deslizamentos. A vegetação não aguentou. Nunca vimos nada parecido”, completou. O estudo designa que, a hipótese de rompimento do açude pequeno da moradora na bacia do rio Mascarada, no distrito Rincão dos Kroeff, onde os motociclistas passaram, como sendo a causadora da onda de cheia em Rolante, é refutada. Provavelmente a influência deste rompimento foi desprezível em relação à magnitude da cheia que atingiu Rolante.

Caracterização física da região


Os escorregamentos ocorreram no trecho médio do rio Mascarada, sendo que a parte mais ao norte da bacia não foi afetada por escorregamentos, conforme aponta a pesquisa. A região em que os escorregamentos ocorreram estão próximas aos limites dos municípios de São Francisco de Paula e Riozinho, na bacia hidrográfica do Rio Mascarada, sub-bacia do Rio dos Sinos. É uma região de declividade alta, com solos pouco espessos, entre 1 e 2 m de profundidade. A região é susceptível a movimentos de massa”, assegura o Engenheiro Ambiental do grupo de pesquisa em Desastres Naturais do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Ufrgs, Maurício Paixão.

A macroforma predominante da região é do tipo falhada, refletindo o controle estrutural de fraturas e falhas, planos de fraqueza na rocha e podem ser preenchidos por sedimentos. A região onde ocorreram os escorregamentos apresenta as maiores declividades da bacia, favorecendo a mobilidade dos escorregamentos na encosta até alcançarem a calha do rio.

 

O documento explica, ainda, que, devido à rápida subida do nível da água do Mascarada na área urbana da cidade de Rolante, levantou-se a hipótese de que escorregamentos teriam barrado o rio e formado uma ou várias barragens naturais. Posteriormente estas barragens naturais teriam rompido e inundado rapidamente a cidade.

A saída de campo dos especialistas buscou indícios de formação dessas barragens para confirmação da hipótese, considerando que este fenômeno já foi relatado em literatura – Valley Blocking Landslide. A partir da observação das encostas da região durante sobrevôo com helicóptero, um ponto foi selecionado para verificação por terra sob alguns critérios: o local onde está o círculo vermelho se trata de onde ocorreram alguns dos escorregamentos de maior dimensão espacial e, por consequência, haveria um grande volume de material disponível para bloquear o vale; trata-se de um local onde o rio Mascarada apresenta várias nascentes por entre as encostas do vale e, assim, a velocidade do rio tende a ser menor, reduzindo sua capacidade de transporte de sedimentos.

No diagnóstico preliminar, a visita ao ponto de interesse foi insuficiente para concluir se houve formação e posterior rompimento de uma barragem natural formada pelos detritos trazidos até o canal pelos deslizamentos. Desta maneira, a hipótese de que a formação e rompimento de uma barragem natural teria causado as inundações na cidade de Rolante não pode ser confirmada e nem refutada com a quantidade de evidências coletadas até o momento.

Recuperação do terreno

“Para falarmos em tempo de recuperação do terreno são necessários estudos mais aprofundados sobre a geomorfologia da região, não sendo possível prever nesse momento um tempo necessário para reestabelecimento do solo e da vegetação nos locais em que os escorregamentos ocorreram”, ressaltou Maurício Paixão. “Também não é possível afirmar ou estimar o tempo para que um evento como este ocorra novamente”, finaliza.


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