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Luiz Coronel

Sombras e luzes sobre um ano inquietante

O autor lança sua nova obra
Luiz CoronelLuiz Coronel é poeta
www.luizcoronel.com.br
Lembro antiga e tolinha anedota interiorana, daquelas que trazem em sua graça a presunção de que os animais em tempos idos falavam, pronunciando frases dignas de um Olavo Bilac em seus sonetos. Era uma fábula amorosa sobre um papagaio que não respeitava os limites impostos pela propriedade privada. E sendo deveras chegado a romances ao luar, fazia festa no galinheiro do vizinho. Incomodado, o dono da casa colocou um fio elétrico no muro. Ao pular a cerca, o papagaio sentiu o arrepio elétrico eriçando suas penas, e, de súbito, soltou sua patética exclamação: “Ué, programa tão antigo e eu tão nervoso!”.
Que suportes tem tão frívola fábula para comparecer à sala de visitas de uma crônica? Refiro-me ao meu estado anímico no período que antecede a edição de meu mais recente livro: 2016, sombras e luzes sobre um ano inquietante.
Tantos livros publicados e eu vivendo sensações de uma debutante ao pisar na passarela. Aguardava a edição com apreensiva expectativa. Estaria jogando combustível na fogueira? Encarar o tema do impeachment 2016 não seria enfrentar aguerridas tropas com corta-unhas e canivetes?
Lembrei antiga comédia americana com o ator Red Skelton. O intrépido personagem, em explosivos momentos da Guerra Civil Americana, atravessa um fogo cruzado entre as tropas sulistas e as nortistas montado em seu garboso corcel. A bandeira conduzida pelo herói tinha em cada um dos lados os emblemas e cores de cada um dos exércitos beligerantes. Das duas trincheiras, ouviu-se o toque dos clarins em seu louvor. Mas logo a conspiração dos ventos revelou a fraude, e o guerreiro saiu levando tiros pela culatra. Que riscos eu estaria correndo?
Minha zona de conforto e proteção fora erguida pelos meus prefaciadores. O senador Pedro Simon conferindo credenciais históricas ao escriba. O ex-prefeito José Fogaça referindo-se à função dos escritores e à contribuição que trazem aos grandes debates sociais. Luciana Genro testemunhando a isenção ideológica do autor. Quem tem padrinho não morre pagão. Tomei um copo d’água e percebi que a luz do dia atravessava as persianas.
Com o livro nas mãos, descubro que ele estaria muito mais próximo de ser uma canção do que uma ópera. E com certo travo de desalento concluí: fosse eu novamente escrever sobre este ciclo histórico, existiriam muitas variações de enfoque. Neste exato momento, sigilosos parlamentares planejam uma anistia às suas trampolinagens de caixa dois, em busca de uma clandestina inocência. Tenhamos certeza: se não houver uma reformulação partidária e uma renovação de lideranças, em que pese a higienização da operação Lava-Jato, em poucos anos, tudo há de voltar à estaca zero.

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