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Interativa

Propagandista pet

Leia a crônica de Mauro Blankenheim
Mauro BlankenheimMauro Blankenheim é publicitário
mauro@gpspropaganda.com.br
Jorge era super reconhecido na profissão. Há quinze anos, visitava todas as pet shops da região, indicando e divulgando medicamentos veterinários. Aves, cães, felinos, roedores, peixes, nada escapava ao talento do Jorge. Começou aos 19 anos e agora, já maduro, com filhos e família, não resistiu ao convite de uma fábrica de rações. Os laboratórios ficaram indignados, pensaram onde poderiam encontrar um substituto para o Jorge, alguém como o Jorge, com sua visão, a sua capacidade de comunicação, persuasão, simpatia e efetividade? Só o Jorge. Acabou que Jorge acumulou as duas funções, afinal os clientes eram os mesmos, mesmo canal de distribuição e certamente faria por aproveitar as mesmas relações que havia construído ao longo de tanto tempo, com solidez e assiduidade.
Numa dessas visitas ao sair do carro, Jorge teve um insight: será que os caras vão me comprar ração só porque eu sou o Jorge? Deu-se conta de que precisava encontrar um diferencial para se impor também como vendedor do novo produto.
Ao ser recebido na salinha de compras do comerciante, sentou com ele e ao apresentar a novidade, abriu um pacote de ração Premium, encheu uma mão e disse:
– Toma aí, Arnaldo, dá uma pegadinha.
– Quê? Tá lôco, tchê. Já tomei café hoje, ria-se ele.
– Vai, dá uma pegadinha.
O varejista hesitou, e, olhando nos olhos do Jorge, como que buscando cumplicidade para aquela loucura, lentamente foi fazendo conchinha com as duas mãos. Depois colocou tudo numa única mão, para beliscar com os dedos da direita.
Antes de se atirar, ainda arrematou: se eu não confiar em você, vou confiar em quem?
Lentamente colocou na boca o primeiro pedacinho, enquanto seu semblante ia traduzindo as sensações de suas papilas gustativas.
– Hum, não é ruim... Hummmm, já comi coisa pior – seguia ele. – Hummmmm... humm, ex-ce-len-te, amigo véio – completou.
Enquanto isso,Jorge esboçava um sorriso tão leve que só quem o conhecesse muito bem, para identificar que o sucesso estava ali por detrás.
– Hummm, continuava o Arnaldo, elogiando. Gostei. Bom mesmo. Quanto tu tá vendendo o saco de 15 kg?
Jorge percebeu que havia fisgado o cliente. Um aperto de mãos selou a nova parceria.
– Tenho na linha, diversos tamanhos de embalagem, desde 400 gramas até 25 kg. Você estava pensando em quantas unidades?
– Pensei em um saco apenas. De 15 quilos.
O espírito vendedor de Jorge entra em cena:
– Mas isso não vai dar nem pra arrancada.Quando teus clientes notarem que tem marca nova de ração na loja, vão todos querer experimentar.
– Não, tu não entendeu. É lá pra casa.
– Mas, tu não tem cachorro... Dono do petshop não tem cachorro...
– É que eu gostei muito do sabor. Mal não faz. Só tem vitamina aqui dentro. E as crianças vão adorar. Óleo pra melhorar o cabelo, fibras para o intestino. E ademais, tu já viu o preço do coxão de dentro?
– Essa não, pensou o Jorge. As comidinhas que o melhor amigo do homem consome andam tão sofisticadas que o melhor amigo do cachorro, agora vai querer também. Mas de qualquer modo, tinha encontrado a estratégia. “Se foi bom pra você, imagina para os clientes. Quer dizer, os pets dos clientes.”

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