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Terrorismo

11 de setembro: o dia que mudou o mundo neste século

Como os atentados de 11 de setembro, que completam 15 anos, redefiniram a segurança e as relações internacionais
AFP
Torres Gêmeas, em Nova Yok, foram um dos alvos dos terroristas no dia 11 de setembro de 2001
Há exatos 15 anos, aquela que talvez ainda seja a mais impactante imagem deste século era transmitida ao vivo pelas televisões mundiais. O choque de dois aviões comerciais com as Torres Gêmeas, no complexo empresarial do World Trade Center, em Nova York, na manhã de 11 de setembro de 2001. Fato que levou a queda dos edifícios, matou milhares, abriu as portas para guerras e transformou de vez as relações internacionais no quesito segurança. Ao choque do primeiro avião, às 8h46, sucedeu-se o segundo, às 9h06. Na sequência, uma terceira aeronave atingia, às 9h37, o cérebro militar norte-americano, o Pentágono, na Virgínia. Após 26 minutos, um quarto avião se espatifava num campo aberto próximo a Shanksville, na Pensilvânia. Ao todo, 2.996 pessoas de 70 nacionalidades morreram nos ataques, incluindo os 227 tripulantes dos voos e os 19 sequestradores.
Nas semanas seguintes, esse número saltou para mais de 6 mil, em decorrência de sequelas físicas, respiratórias e traumáticas dos feridos. A data ficou marcada como a tragédia dos Atentados de 11 de Setembro, revelando aos Estados Unidos e aliados um novo inimigo: o terror. Na forma inicial do regime afegão talibã, do grupo Al-Qaeda e de seu líder máximo, Osama bin Laden. Os desdobramentos bélicos do episódio resultaram, entre outros, na invasão norte-americana ao Afeganistão e ao Iraque e na Guerra ao Terror, uma caçada a bin Laden e comparsas, com o saudita sendo morto em 1o de maio de 2011, no Paquistão. Já as consequências econômicas dos atentados desestabilizaram também as estruturas financeiras da superpotência e, como num tsunami, o mundo viu essa onda se replicar e atingir seu ápice global na crise dos mercados de 2008. A tragédia mudou também a cara do mundo nas relações internacionais e sociais.
Monitoramento
Protocolos de segurança mais rígidos, exigidos pelos Estados Unidos, tiveram que ser adotados por quase todos os países. O que abriu espaço para um monitoramento tecnológico sem precedentes de setores públicos e privados, se estendendo a formas de comunicação como redes sociais, Internet e telefones. E jogando sombras, algumas das quais xenófobas, na relação Ocidente–Oriente. “Eu acredito que nada começa ou finaliza em um dia. Mas há dias que começam ou terminam eras. Há historiadores do tempo presente que dizem que o século 21 começou nesse dia. O 11 de setembro de 2001 seria o marco zero”, destaca o professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Raúl Rojo, ao sintetizar o episódio no contexto da história mundial.
Isolacionismo ianque
Também pesquisador associado do Centre d’Analyse et d’Intervention Sociologiques (Cadis), laboratório de sociologia da Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (Ehess) e do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), da França, Raúl Rojo pontua que, à época dos atentados, os Estados Unidos haviam se consolidado como única superpotência planetária. “Após a Guerra do Golfo parecia que os norte-americanos reinavam sem um oponente visível, sem um grande inimigo, por assim dizer”, comenta. A tal ponto que o presidente George W. Bush se elegeu com um programa que desenhava problemas na política externa. “Tratava-se de alguém sem vocação para discutir temas de Corte Internacional por vontade própria ou porque a agenda norte-americana tivesse esse tipo de temática”, analisa Rojo, ressaltando que, antes da fatídica data, o questionamento era se os EUA não estariam entrando em outro período de isolacionismo, aos moldes dos anos seguintes à Segunda Guerra Mundial.
Identificação do inimigo em comum
Se uma coisa pode ser dita sobre o 11 de Setembro é que ele revelou aos norte-americanos a faceta de seu novo oponente no século 21. E num momento em que a política externa de George W. Bush flertava com o comunismo, que já não parecia tão perigoso quanto nos tempos da extinta União Soviética, apoiando o retorno ao poder no Haiti do ex-padre católico Jean-Bertrand Aristide. “O atentado ao World Trade Center, mesmo que os serviços de inteligência soubessem quem era Bin Laden, trouxe a identificação do grande e novo inimigo global. E, de certa forma, oposição é fundamental para a identidade, para o diga-me quem tu és. E havia, naquele momento, esse problema de identidade dos EUA, no sentido das grandes alianças”, analisa o professor Raúl Rojo. E frisa que bin Laden despertou uma síndrome até então adormecida. “Um certo messianismo dos norte-americanos, como se fossem alguém enviado e colocado lá por Deus, como está escrito nas notas do dólar, a exemplo dos colonialistas britânicos do século 19, da missão cristológica de levar civilização aos países bárbaros. Os americanos têm isso, mas, numa visão muito mais manipulada e sem tantos interesses generosos”, entende o sociólogo.
AFP
One World Trade Center, construído no local da tragédia de 11 de setembro, tem 104 andares e custou cerca de U$ 3,9 bilhões
Mudança na política externa e militar
Castrados simbolicamente dentro da sua casa e vivendo um choque de realidade, os norte-americanos tiverem que administrar uma autoestima abalada. E despertar para um inimigo diferente dos outros, que passou do campo da ideologia para o religioso. “Sem rosto e sem território, mesmo que nos meses seguintes ao 11 de Setembro seu poderio bélico e tecnológico tenha mirado o Afeganistão. Afinal, era um inimigo que poderia estar em qualquer parte, já que o ataque partiu de território norte-americano”, observa Rojo. Fator que também se refletiu no endurecimento da política externa da Casa Branca e aliados, como a Grã-Bretanha e a Espanha, outros alvos do terrorismo. “O que trouxe mudanças na política militar, com engenhocas informáticas e telemáticas que colaboraram nas violações de segredos de chefes de Estado e potências amigas. A guerra contra o terror muniu-se de uma certa violação aos princípios democráticos”, revisa o professor Rojo.
Tropeços políticos e econômicos
Liderando no Brasil o grupo de pesquisa Magistratura, Sociedade e Política, cadastrado junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Raúl Rojo afirma que os atentados trouxeram um novo fenômeno à política norte-americana. “A aparição dos neoconservadores, conselheiros de Bush-pai e que foram escudar Bush-filho, desenhando toda uma política externa de violações e distorções a princípios com os quais não se podia negociar”, ressalta. Entre eles, cita a maior inferência da superpotência no conflito árabe–Israel. “Concluíram que as fronteiras do Oriente Médio precisavam ser redesenhadas. Uma missão atrevida e também ingênua, fruto de um pensamento não-científico, tomando desejo por realidade e não calculando preços”, analisa. Os tropeços políticos e o belicismo em alta acabaram repercutindo na economia. “Que era superavitária, mas que abriu um buraco negro, criando um déficit notável que apareceria entre 2007 e 2008. Tudo isso gerado por uma fraqueza estrutural deflagrada pela crise do Iraque e os desdobramentos da Guerra ao Terror”, ilustra.
INFO, 11, TOREES GEMEAS
Retrato da incredulidade
Em relação aos incidentes em Nova York, no Pentágono e na Pensilvânia, o professor Raúl Rojo era pesquisador visitante do Centre de Recherche en Droit Public, da Universidade de Montreal, no Canadá. Lembra que praticamente todo o tráfego aéreo americano foi desviado para aeroportos canadenses. Como imagem que definiu os atentados, mantém uma bem clara até hoje em sua mente. “O gestual e a cara do Bush quando interrompido por um assessor, quando falava para alunos de uma escola na Flórida. Ficou claro que o presidente dos Estados Unidos foi pego desprevenido. Ficou pasmo, deixando também claro que não tinha a mínima dimensão da tragédia ou ideia do que iria fazer”, recorda Rojo.
Da Al-Qaeda ao Estado Islâmico
Os acontecimentos que se seguiram aos atentados podem ser medidos por fatos como a Guerra do Iraque e a crise da Primavera Árabe, exemplifica Raúl Rojo. E nesse “oco”, aponta o nascimento de um inimigo muito mais clamoroso que a Al-Qaeda. “O Estado Islâmico (EI). Sem feições, e que promove um califado com território, capital e serviços próprios de um Estado. Com conquista de territórios, exércitos e apropriando-se da liderança do islamismo”, diz Rojo. Atenta, ainda, para o apelo de marketing gestado e difundido pelo EI. “A ideia de que vai liderar todos os muçulmanos tradicionais e novos, num protecionismo islâmico. E que o território dos ‘daeshs’ se amplia também para jovens do terceiro mundo”, comenta.
Reflexos no Brasil
A América Latina é um dos poucos lugares no planeta onde os abalos do terremoto trazido pelo 11 de Setembro se fizeram sentir menos. Pelo menos este é o entendimento de Rojo, mesmo que hoje um pente bem mais fino aconteça na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. “É um dos pontos focados pelos norte-americanos desde então, com as coletividades muçulmanas sendo olhadas com um cuidado que antes não existia”, ressalta. Rojo reforça que os reflexos dos atentados também se medem no maior controle de bancos centrais a transferências e operações diversas. Junto, o surgimento de protocolos de segurança mais rígidos, com a mudança de passaportes e a disseminação em larga escala de sistemas de videomonitoramento.
O terrorismo
A queda das Torres Gêmeas e a Guerra ao Terror abriu campo para grupos extremistas das mais diferentes bandeiras bradarem sua existência aos quatro cantos. Na análise de Raúl Rojo, isso se explica na informação em tempo real trazida pelas redes sociais. “Há uma visibilidade de circulação de notícias, verdadeiras ou falsas, e o terror se integrou a essa estratégia. A verdade é a primeira vítima de uma guerra e verdades são pintadas, dado a parafernália de mídias”, comenta o professor. De origem argentina, 77 anos, mas há mais de 23 anos vivendo no Brasil, Rojo enfatiza que caíram as fronteiras físicas e o mundo passou a ser um espaço para a ‘conquista das almas’. “Que é tão importante quanto à conquista de territórios”, garante ele.
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