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Publicado em 21/10/2015 - 10h05     Última atualização em 22/10/2015 - 07h44

Em Canoas, a Ulbra fez parte dos anos dourados e foi tricampeã da Superliga

Equipe conquistou os títulos nas temporadas de 1997/1998, 98/99 e 02/03

 
reportagem GUSTAVO HENEMANN
 edição web e de vídeo RAQUEL RECKZIEGEL
 imagens O DIA/ARQUIVO GES
 
Desde terça-feira até sábado, a série Vôlei gaúcho em 5 sets mostra a trajetória do vôlei no Rio Grande do Sul
e as grandes equipes que contribuíram e ainda contribuem para fazer do Estado um verdadeiro celeiro
de bons atletas e casa de times e personagens que fizeram história.
  
A equipe da Ulbra no retorno a Canoas depois do título da Superliga
A equipe da Ulbra na volta a Canoas depois do título da Superliga na temporada 2002/2003. 
Os jogadores haviam feito um pacto: a promessa foi de pintar os cabelos de loiro, como se fosse
uma espécie de crença, em troca do título da principal competição do vôlei nacional
 
Os anos dourados do vôlei gaúcho, que iniciaram com a Frangosul/Ginástica, seguiram nas próximas temporadas. A universidade Ulbra, de Canoas, investiu forte no esporte e conquistou três títulos de Superliga (1997/1998, 1998/1999 e 2002/2003) para o Rio Grande do Sul. Um dos fatos curiosos dos quatro títulos do Estado – um da Frangosul e três da Ulbra – na principal competição do esporte no País é que em todos eles os troféus foram conquistados longe de casa.

Campeão com o time de Novo Hamburgo, o técnico Jorginho Schmidt se transferiu para Canoas em 1997, após o encerramento das atividades da Frangosul, e levou a equipe canoense aos dois primeiros títulos seguidos na Superliga. Elogiado por montar grandes elencos, Jorginho levou consigo alguns atletas que venceram a primeira edição da Superliga, como Gilson, o ‘Mão de Pilão’, André Heller, Celso e Marcelo Fronckowiak, atual treinador do Vôlei Canoas. No primeiro campeonato, o grupo ainda foi formado por Fink, Joel, Hernani, Jeffe (atual líbero do Vôlei Canoas), Alex Lenz, Weber, Gatin, Willian, Jonas, Fernandão, Betão e Mâncio. Naquela ocasião, a Ulbra/Diadora superou o favorito Olympikus (RJ) no quinto jogo.

O bicampeonato veio na temporada seguinte já com outro patrocinador, a Ulbra/Pepsi. Com praticamente a mesma base de atletas, a equipe ainda teve Alexssandro, Bráulio, Carlos Javier, Carlos Alberto Toaldo, Guilherme Schuch, Badalotti, Itápolis, Marcel, Otelo, Roberto Ferreira, e levou a Superliga ao superar o Papel Report/Nipomed, de Suzano (SP), por 3 jogos a 1.

E em 2003, a Ulbra conquistou o tri com Fronckowiak como técnico, e atletas consagrados, como o campeão olímpico em Barcelona 1992, Marcelo Negrão, e o levantador Ricardinho, campeão olímpico em Atenas 2004. O duelo final foi contra a Unisul (SC), onde os gaúchos levaram a melhor por 3 partidas a 0. O grupo ainda era composto por Riad, Renato Felizardo, Lilico, Rapha, Bozko, Dentinho (diretor do Bento Vôlei), Roberto, Cris, Alan, Dante Trevisan (ponta do Bento Vôlei), Roberto Minuzzi, Acácio (central da Voleisul), Tiago Peter (diretor geral da Voleisul), Duda e Jardel.
 
 
Ulbra de 97/98 era zebra

Alguns dos principais jogadores do elenco da Ulbra/Diadora que ergueram a primeira taça da Superliga em Canoas já conheciam o caminho da glória, pois duas temporadas atrás já haviam levado o Estado ao ponto mais alto do vôlei brasileiro. Sem contar que o técnico era Jorginho Schmidt, um estrategista. “A Ulbra nunca foi candidata. Nós montamos um time com dois bons jogadores, que eram o Weber e o Gilson, os demais jogadores compunham a equipe”, destacou o ex-treinador. “Nós, que éramos considerados as zebras do campeonato, acabamos conquistando o título da Superliga, inclusive sobre times que tinham investimento três vezes superior ao nosso. Nossa equipe tinha poder de recuperação. Era a marca registrada”, recorda André Heller.

E a zebra mostrou que não estava para brincadeira. O ex-jogador Gilson ‘Mão de Pilão’ lembra que a vitória sobre o Olympikus, do ex-companheiro Carlão, teve confusão e salto alto. “Nós ganhamos uma série épica, uma virada de 3 a 2. No ginásio Tesourinha, em Porto Alegre, perdendo de 2 sets a 1 para eles, e no quarto set, no quarto jogo, eles já batendo palma para a torcida, chamando é campeão, nós viramos o jogo”, destaca Gilson Bernardo. “Poucas vezes o time que eu trabalhei como treinador ou auxiliar era a favorita. Eu não trabalho com sorte ou azar, mas quando as coisas encaixam, elas podem conspirar a favor”, afirma Marcos Pacheco, ex-auxiliar de Jorginho.
  

Imagens

  • Depois de ter conquistado a primeira edição da Superliga em 1994/1995 com a Frangosul/Ginástica,o treinador Jorginho Schmidt levou a Ulbra, de Canoas, à conquista de mais troféus, que levaram o RS ao domínio do cenário brasileiro do voleibol - Arquivo/GES

  • Gilson, ex-jogador da Frangosul/Ginástica e da Ulbra, chegou a presidir o Universidade Sport Club, que foi a denominação das equipes de alto rendimento da Ulbra, após problemas judiciais de um ex-reitor da instituição - Arquivo/GES

  • O líbero Jefferson Orth, o Jeffe, já atuava na Ulbra/Pespsi e se tornou um dos remascentes em uma equipe de Canoas. Atualmente, o atleta faz parte do grupo do Lebes/Gedore/Canoas, que tem como comandante o treinador Marcelo Fronckowiak, que esteve nos quatro títulos gaúchos de Superliga - Arquivo/GES

  • Muita alegria no desfile com o caminhão do Corpo de Bombeiros - Arquivo/GES

  • Chegada da equipe da Ulbra no Aeroporto na temporada 2002/2003 foi marcada pela animação da torcida - Arquivo/GES

 
RS dominou o vôlei brasileiro

O atual técnico do Vôlei Canoas, Marcelo Fronckowiak, é o único desportista que conquistou os quatro títulos gaúchos de Superliga, três deles como jogador e um como treinador. “Depois da Frangosul veio essa maravilha que foi a Ulbra. Durante um período de três a quatro anos, o Rio Grande do Sul dominou completamente o voleibol do Brasil”, ressalta o ex-jogador. “A Ulbra se espalhou pelo Brasil em instituições locais devido a todo o retorno que houve do investimento esportivo. Foi momento mágico para o vôlei gaúcho”, avalia o atual presidente da FGV, Carlos Cimino.

“A equipe que montamos na Ulbra era interessada. Então, a conotação de ser mais importante Novo Hamburgo ou Canoas, eu não saberia dizer. Para mim, emoção muito maior ser campeão na minha cidade, mas o modo como fizemos a Ulbra ser campeã foi muito gratificante”, reforça Jorginho Schmidt. Porém uma questão não deixa o mineiro Gilson ser feliz por completo. “Todos os títulos que o Rio Grande do Sul conquistou foram fora de casa e essa é uma das frustrações que a gente tem. O interessante é que eu ia para o Japão e voltava numa janela que tinha. Jogava as semifinais e finais, era campeão no Japão e no Brasil”, completa Gilson.
 
No dia 22 de abril de 1999, a foto da chegada e o desfile no caminhão do Corpo de Bombeiros foi publicada no Diário de Canoas
No dia 22 de abril de 1999, a foto da chegada e o desfile no caminhão
do Corpo de Bombeiros foi publicada no Diário de Canoas, jornal do Grupo Editorial Sinos
 
Nunca cante a vitória antes

Gilson, o ‘Mão de Pilão’, foi um dos principais jogadores do primeiro título da Ulbra. Ele recorda que quando o ex-presidente da FGV, Cláudio Braga, viu o início da preparação para a premiação ainda no quarto set do penúltimo jogo, em Porto Alegre, o dirigente chutou a mesa e disse: “Aqui é o Rio Grande do Sul, aqui não”. “Fomos ver aquela confusão e o Weber, que estava com a perna machucada e não tinha jogado até então, pegou a plaquinha sem avisar o Jorginho, pediu substituição, entrou e, quase sem saltar, deu um toco no Giba e chamou a torcida. Aí em diante eu pensei, se o Weber, um anão, saltou meia-boca e deu um toco no Giba, pode tocar todas as bolas mim. Ou eu quebro o bloqueio ou arrombo a quadra”, fala Gilson, em meio aos risos.
 
O Diário de Canoas, jornal do Grupo Editorial Sinos, deu destaque para o bicampeonato da Superliga conquistado pela Ulbra/Pesi. No dia 21 de abril de 1999, o título na manchete da publicação
 O Diário de Canoas deu destaque para o bicampeonato
da Superliga conquistado pela Ulbra/Pesi no dia 21 de abril de 1999
 
Já são 12 anos sem títulos

Após o último título da Ulbra, em 2003, o Estado nunca mais voltou a conquistar uma Superliga. Em meio a este período dos anos dourados, outras equipes se inspiraram e foram formadas. É possível citar os exemplos do Bento Vôlei, criado nesta época, mas que chegou a parar suas atividades e voltou à elite da Superliga em 2015, da extinta On Line, que alternou entre Novo Hamburgo e São Leopoldo, da UCS, de Caxias do Sul, e da Sogipa. Estas equipes também entraram no cenário nacional e não vingaram. As tentativas foram várias, mas o Rio Grande do Sul já está há 12 anos sem vencer uma Superliga. “Acho que mais cedo ou mais tarde o Estado vai, com Canoas, Voleisul e Bento, reeditar toda essa história bonita que já foi construída ao longo dos anos”, acredita Marcelo Fronckowiak.

“Depois da Ulbra, acho que o Estado vem passando um momento político muito complicado. A situação das empresas é muito difícil. E colocar verba no esporte e não na sua empresa é delicado. E esses anos nos quais não existiu times de ponta é por causa disso”, avalia o ex-levantador e treinador da Voleisul, Paulo Roese.
 
Ulbra/Diadora - 1997/1998

Como foi a final
 
5/04/98 - Ulbra 3 x 1 Olympikus (RJ)
9/04/98 - Olympikus (RJ) 3 x 1 Ulbra
11/04/98 - Olympikus (RJ) 3 x 0 Ulbra
16/04/98 - Ulbra 3 x 2 Olympikus (RJ)
19/04/98 - Olympikus (RJ) 1 x 3 Ulbra

Ulbra/Pepsi - 1998/1999

Como foi a final
 
10/03/99 - Papel Report/Nipomed (Suzano) 1 x 3 Ulbra/Pepsi
13/03/99 - Ulbra/Pepsi 0 x 3 Papel Report/Nipomed (Suzano)
17/03/99 - Ulbra/Pepsi 3 x 1 Papel Report/Nipomed (Suzano)
20/03/99 - Papel Report/Nipomed (Suzano) 1 x 3 Ulbra/Pepsi

Ulbra - 2002/2003

Como foi a final

06/04/03 - Unisul (SC) 1 x 3 Ulbra
10/04/03 - Ulbra 3 x 2 Unisul (SC)
12/04/03 - Unisul (SC) 0 x 3 Ulbra