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Grupo Sinos
Publicado em 06/07/2015 - 16h06
Última atualização em 06/07/2015 - 16h09

As patas que têm o poder de melhorar o coração

Convívio de animais de estimação com idosos e crianças traz inúmeros benefícios

Laura Píffero - laura.piffero@gruposinos.com.br

Eles já conquistaram 44% dos lares brasileiros, movimentam 16 bilhões de reais por ano no País. São 52 milhões de cães e 22 milhões de gatos nos lares do Brasil. Os números recentemente divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam uma certeza: os animais fazem muito bem para o seres humanos.
Segundo a Organização Não Governamental Pathas Therapeutas as crianças que possuem um animal de estimação estão mais envolvidas em atividades como esportes, clubes ou tarefas. Da mesma forma, estudos recentes apontam que idosos que possuem animais vão menos ao médico, têm menores problemas de saúde e ainda possuem níveis mais baixos de pressão arterial e colesterol, em comparação aos não-proprietários de animais de estimação.
De acordo com a pscicóloga Bernadete Siebel, especializada também em Terapia Assistida por Cães, a pioneira no uso de animais em terapias com crianças e idosos foi a psiquiatra brasileira Nise da Silveira nas décadas de 50 e 60. “Sabemos que o cão e gato são facilitares de relacionamentos, favorecem o vínculo e diminuem o estresse. A convivência incrementa comportamentos positivos, como o aumento da sensibilidade e atenção nas crianças. O animal tem uma personalidade só, não dissimula, não finge, então podemos confiar nele”, explica ela.
 
Muitos são os benefícios
Segundo a pscicóloga Bernadete Teresinha Siebel os benefícios para crianças e idosos são praticamente iguais, mas ela lembra que animais requerem responsabildiades e que podem auxiliar as crianças a terem compromissos, tomando para si as necessidades que este animal vai ter ao longo da vida. “E para o idoso o destaque é a companhia, fator que pode amenizar a solidão que muitos sofrem. Os demais membros da família muitas vezes não possuem tempo suficiente para dedicar ao idoso, não têm paciência, possuem seus próprios compromissos, aí entra a companhia do cão, sempre um amigo fiel e dedicado, de forma incondicional”, analisa a psicóloga. Um estudo realizado pela Universidade Loyola, em Chicago, mostrou os benefícios dos animais também em hospitais. Segundo a pesquisa, acariciar um cachorro pode ajudar pacientes internados, a ponto de reduzir pela metade a quantidade de analgésicos ingeridos. “A importancia dos animais na sociedade não tem limites. A interação homem-animal sempre nos trouxe benefícios. Eles estão sempre prontos e dispostos a nos ajudar, são terapeutas dedicados”, complementa Bernadete.
 
Noeli tem amor de sobra
Foto: Laura Píffero/GES-Especial
Na casa da dona Noeli Abrahão, 69 anos, os animais são da família. É a maneira mais bonita que ela encontrou de agradecer a eles pela companhia e amizade que já somam dez anos. São dois cachorros, a Mima e o Vavas, e três gatas: Noturna, Aischa e Dolly. Junto com eles a aposentada já passou por alegrias e tristezas. “Eles são tudo para mim, não sei viver sem eles. Quando tive depressão eles foram meus companheiros diários, eu chorava e eles lambiam meu rosto”, conta. Mas basta cinco minutos de conversa para ver que Noeli já superou essa fase. O sorriso dela fica mais fácil e animado quando o assunto são os bichinhos. A dona de casa também conta que herdou esse amor da filha Ana Kátia Becker, que desde criança trazia animais da rua para a casa. “Ela vinha com gatos na blusa da escola. E por isso todos aqui são adotados e eram da rua, eles me trazem felicidade e eu sei tudo que eles gostam”, conta Noeli, que mora com a irmã Rosa Abraão, 73 anos, também ajudante nos cuidados com os amigos de quatro patas. Vitalidade, disposição e alegria são só alguns dos benefícios que Noeli enumera. “A sujeira deles eu limpo com gosto, troco meus lençóis de cama três vezes por semana e digo que eles são tudo para mim.”
 
Uma relação de amor com Maitê
Maitê e seus amigosAinda quando estava na barriga da mamãe Michele de Castro Schimit, 30 anos, a pequena Maitê já previa: iria ter que conviver amigavelmente com os amigos de quatro patas da casa. E isso nunca foi um problema para ela, que hoje tem 1 ano e três meses. Michele e o marido Thomas Rosler Manke, moradores de Canoas, compartilham o amor pelos animais desde que se conheceram e por isso escolheram passar para a pequena herdeira o ensinamento. “Temos quatro cães, todos eram de rua e os adotamos. Também queremos passar esses valores para a Maitê: de fazer o bem para um animal indefeso, um animal que foi de rua, além de ser uma pessoa do bem, fazer o bem para todos. Acreditamos que ensinando pelo caminho de amar os animais é o começo de amar também ao próximo” analisa a mãe. Ela destaca também a importância de conviver com os animais desde bebê para desenvolver os estímulos sensoriais da criança. “Como por exemplo tocar o animal, sentir o pelo, a respiração, as emoções, com isso, a Maitê se tornou mais observadora. Além do desenvolvimento do engatinhar, que é super motivador para o bebê”, complementa. Michele conta que hoje a filha brinca com os cães, joga bolinhas, corre do lado e faz carinho. “Esperamos que este amor dure para sempre e que brinquem juntos por muito tempo”, deseja a mãe. A família humana possui hoje quatro cães: Brad, Damião, Pedrita e Jenny.
 
Acertando na escolha
O adestrador Raphael Piccoli, especialista em comportamento animal há 18 anos, afirma que no convívio entre cães e pessoas sempre houve altos e baixos. “Nos estressamos quando eles pulam na gente ou quando roem nossos objetos, mas depois damos risada contando as mesmas histórias”, afirma. Conforme explica, com crianças e idosos os cuidados são semelhantes e começa na escolha do cão.

Crianças: cães filhotes e mais tolerantes são os mais indicados. Para crescerem com a criança e criarem vínculos mais profundos. Porém o ideal é evitar brincadeiras de lutinha, pega-pega e cabo de guerra. Nos passeios e nos momentos da alimentação é fundamental a presença da criança.

Idosos: o indicado são cães dóceis e um pouco mais ativos e que, de preferência, deem menos manutenção, como os de pelagem curta. Nesse caso a orientação de um adestrador é muito importante para evitar acidentes e facilitar a interação.

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