Jornais
FECHAR
  • Jornal NH
  • Jornal VS
  • Jornal de Gramado
  • Diário de Cachoeirinha
  • Correio de Gravataí
Grupo Sinos
Publicado em 07/10/2014 - 09h24
Última atualização em 07/10/2014 - 09h53

Tarso e Sartori estão de olho nas alianças para o segundo turno

Desde domingo, as campanhas do PT e do PMDB se mobilizam em busca de aliados para o novo pleito

Amilton Belmonte - amilton.belmonte@gruposinos.com.br

A Justiça Eleitoral formaliza hoje os resultados finais do pleito 2014 no Rio Grande do Sul e, entre a quinta-feira e o sábado, recomeça a propaganda política em rádio e televisão. Todavia, a corrida de Tarso Genro (Coligação Unidade Popular pelo Rio Grande) e de José Ivo Sartori (Coligação O Novo Caminho para o Rio Grande) ao Palácio Piratini já iniciou no último domingo, quando o voto dos gaúchos propiciou a ambos a chance de mostrar nas próximas três semanas quem está melhor preparado para comandar o Estado no quadriênio 2015-2018. Tarso e Sartori também deram a largada a uma outra prova com obstáculos, em que agilidade, estratégia e diálogo emprestam contornos decisivos para suas pretensões: a intrincada e sensível costura da malha de apoios ao segundo turno.

E os alvos estão bem definidos: Ana Amélia Lemos (PP), Vieira da Cunha (PDT), Roberto Robaina (Psol), Edison Estivalete (PRTB) e Humberto Carvalho (PCB), candidatos que ficaram de fora da fase da etapa final das eleições, mas que juntos totalizaram exatos 1.691.72 votos, capturando 27,3% do eleitorado. Devem também encontrar o tom de convencimento para sensibilizar os 458.233 (6,57%) gaúchos que votaram em branco, os 360.256 (5,16%) que anularam o voto ou os 1.408.386 (16,80%) que simplesmente não apareceram para votar. Se somarmos isso tudo, estamos falando de 3.918.796 votos, sendo 1.342.115 apenas da candidata progressista. No caso do PDT, ficou encaminhado apoio ao PMDB após uma reunião ontem à noite.

Além disso, as variáveis da disputa nacional podem ecoar no Estado sob o prisma da saia justa. “O PMDB nacional apoia Dilma Rousseff e é seu vice, mas a executiva nacional das duas siglas poderá emitir outros ordenamentos”, prevê a professora de Ciências Políticas Silvana Krause. Ela pondera que o PMDB tem perspectiva de ir dividido para o segundo turno, justamente pelo alinhamento nacional ao atual governo. “Os acordos a partir de agora podem não se envolver com palanque regional”, destaca, pontuando que pela característica da vida pública no Estado a tendência é de opinião e embates mais explícitos. “O gaúcho é mais direto no que diz respeito à vida pública, expõe os seus conflitos”, argumenta.

Foto: Diego da Rosa/GES
Tarso Genro (PT)


Afinidade ideológica
o atual governador, Tarso genro, foca suas atenções, primeiro, no PDT. no domingo, seu convite já era explícito. “Queremos uma recomposição imediata com o PDT. É nossa obrigação política e moral, pelas relações ideológicas”, frisou. Só que o plano de Tarso pode dar errado. em reunião ontem à noite, a executiva estadual do PDT sinalizou apoio a Sartori. Conforme Pompeo de Mattos, que assumiu ontem a presidência do partido, a decisão será tomada amanhã. “Temos um indicativo. A maioria da executiva estadual prefere isso, mas só decidiremos isso na quarta-feira”, explicou. na tarde de ontem, Tarso e partidos da coligação estiveram reunidos. na ocasião, se discutiu a busca de novas alianças – PDT, PSoL e PCB e de partes do PP.

Foto: Vinicius Carvalho/GES
José Ivo Sartoti (PMDB)


Cautela e diálogos
Cautela. Palavra que define o momento do candidato José Ivo Sartori. Na noite de ontem, houve reunião com presidentes dos partidos que compõem a coligação (PSD, PPS, PSB, PHS, PT do B, PSL e PSDC), para uma decisão coletiva sobre novos apoios. Mesmo que Sartori seja reticente, nos bastidores é dado como certo um contato formal, que poderá ocorrer ainda hoje, com a senadora Ana Amélia Lemos (PP). ontem, em entrevista à imprensa, enfatizou que a progressista “nunca foi nossa adversária, mas uma colega, que ajudou no debate”. Sartori confirmou que irá contatar Marina Silva (PSB), eliminada no primeiro turno da disputa presidencial. e já conversou com o vice dela, Beto Albuquerque. A ideia é construir apoios locais e nacionais.

Foto: Ivan de Andrade/GES
Ana Amélia Lemos (PP)


Quem herda os votos dela?
Quem vai levar os 1.342.115 votos de Ana Amélia Lemos, do PP? essa é uma das grandes questões do segundo turno. A ex-candidata progressista ainda não deixou claro se irá apoiar uma das candidaturas. Mas a professora de Ciências Políticas Silvana Krause analisa que a situação beneficia Sartori. “Há dificuldade de transferência de voto do eleitor do PP para o PT, por se tratar de um eleitor mais conservador, identificado com lideranças de um regime civil-militar e o voto antipetista”, ilustra Silvana. Mas pondera que o PMDB também não se identifica com o PP, lembrando da rivalidade de ambos desde os tempos da Arena (embrião do PDS, antigo nome do PP) e do MDB. “Se desse PT e PP no segundo turno, esse eleitor do PMDB votaria com Tarso”, afirma.