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Publicado em 27/09/2014 - 16h17
Última atualização em 28/09/2014 - 12h03

Marcelo Grohe - A origem: a trajetória do goleiro que está brilhando com a camisa do Grêmio

Aos 27 anos, o campo-bonense está no melhor momento da sua carreira com a camisa do Grêmio e tem o seu nome bastante comentado para defender a seleção brasileira do também gaúcho Dunga

José Diehl - josé.diehl@gruposinos.com.br

Marcelo Grohe - A origem
 
Descoberta na Rua Guarany
 
Em uma das andanças de bicicleta por Campo Bom em 1997, Roni Verruch, o Venâncio, 62 anos, e Juarez Skrings, 60, respectivamente presidente e técnico da escolinha de futsal União de Jovens Campo-bonenses (UJC)/Juventus, se depararam com um grupo de meninos jogando futebol na Rua Guarany, no Centro. “A gente viu aquele guri jogando muito bem na linha e paramos para falar com ele”, conta Juarez. O moleque era Marcelo Grohe, o goleiro que, com a camisa do Grêmio, vem assombrando o País e pedindo passagem na seleção brasileira. Já são sete jogos sem tomar gols, 718 minutos parando adversários com defesas seguras e, por vezes, espetaculares.
 
Hoje o ídolo gremista estará em campo novamente, contra o Botafogo. Mas para entender como Grohe se transformou no mais aclamado camisa 1 brasileiro do momento é preciso voltar à Rua Guarany. “Convidamos ele para jogar de goleiro, posição que tínhamos dificuldades de encontrar jogadores. Aceitou e, com a permissão dos pais (Pedro – falecido – e Ilse), assinou ficha com a gente”, explica Juarez, lembrando que Grohe também teve uma rápida passagem de três meses pelo Cairú de Campo Bom.
 
A partir dali, estava nascendo um atleta que três anos depois despertou o interesse das categorias de base do Grêmio num campeonato na praia. Até 2003, ele morava em Campo Bom e se deslocava para Porto Alegre de van, junto com outro goleiro da região, o colorado Muriel, natural de Novo Hamburgo. “Eu tenho uma imagem na minha cabeça daquele dia em que o Venâncio e o Juarez me convidaram e depois foram conversar com a mãe e o pai para jogar na escolinha”, disse Grohe ao ABCDomingo antes de viajar ao Rio para o jogo de hoje.
 
O goleiro está curtindo a grande fase. “Estou muito feliz com o momento da minha carreira. Batalhei muito para chegar a isso. Feliz com os elogios e reconhecimento de todos. E a seleção é um dos meus objetivos.” Se depender do seu treinador da posição, Rogério Godoy, o Rogerião, isso pode acontecer: “Ele é o melhor goleiro do Brasil”.
 
Marcelo Grohe - A origem
 
 
Grohelândia - A terra quente de um goleiro frio
 
 
 Grohe
Marcelo Grohe - A origem
 
Conhecida também pelas suas altas temperaturas durante o verão, Campo Bom é, paradoxalmente, a terra de um goleiro frio na hora de encarar e parar atacantes que invadem seu território particular, a grande área. Marcelo Grohe tem sido o principal destaque do Grêmio neste Brasileirão de poucos gols sofridos pelo tricolor. E os conterrâneos do camisa 1 azul comemoram, com muito orgulho, a ótima fase. 

Convidado pela reportagem do ABC, Venâncio, um dos seus descobridores para o futebol, foi na sexta-feira pela manhã até a Rua Guarany, na esquina com a Avenida dos Estados, para mostrar onde viu pela primeira vez Grohe em ação. “Foi bem ali que existia um campinho em que a gurizada jogava”, aponta Venâncio para o terreno baldio onde a bola rolava naquela época com Marcelo e seus amigos no Centro.

Não é preciso andar muito além daquela esquina para encontrar vizinhos que continuam morando na Rua Guarany. É o caso, por exemplo, do casal Ibio, 73, e Lurdes Stacke, 75. Eles residem ao lado do número onde a família Grohe morou durante muito tempo. Ibio, conhecido por Barão, não poupa elogios ao ex-vizinho famoso. “Conhecemos ele e a sua família há muito tempo.A mãe dele (Ilse) vem sempre passear aqui em casa. O Marcelo é uma pessoa maravilhosa e merece tudo de bom que está acontecendo com ele”, diz Barão.

“Ele, o meu neto Vinícius e outros meninos também jogavam no gramado que existia no pátio da casa do Marcelo”, conta Lurdes, observando da sacada de sua residência o local onde o goleiro morava e agora está sendo construído um outro imóvel. “Ele continua sendo muito querido”, reforça a gremista Lurdes, que confessa se dividir pela torcida ao tricolor e ao amigo goleiro. “Toda vez que o Grêmio entra em campo eu rezo para o Marcelo ir bem. Eu até acho que sou mais ele do que Grêmio”, confessa.

A Grohelândia não para por aí. O amigo Luiz Rodrigues, o Luiz do Treze, ainda reside no mesmo local daqueles tempos de infância. “Ele é um cara sensacional, persistente, e todos aqui estão torcendo para ele ser convocado para a seleção brasileira”, garante o gremista. Campo Bom também continua sendo a cidade onde reside, desde os 16 anos, Ilse Grohe, 63, a mãe do arqueiro, vinda de Feliz. Ela fala com orgulho da força de vontade do filho em vencer como jogador de futebol. “O Marcelo se esforçou muito para conseguir isso junto como estudo”, explica dona Ilse, referindo-se ao início nas categorias de base do Grêmio e o estudo nas Escolas Genuíno Sampaio, Borges de Medeiros e 31 de Janeiro. Enfim, se a distante Groenlândia é fria como o goleiro é na hora de encarar os adversários, a Grohelândia do Sul, ou Campo Bom, é simpática e receptiva como é o camisa 1 na vida.
 
Muito obrigado, UJC/Juventus
 
O futebol do Brasil deve muito à Escolinha UJC/Juventus. Benditas bicicletas Monark que conduziram os técnicos Venâncio e Juarez até a Rua Guarany naquele dia da “descoberta” de Marcelo Grohe, hoje um dos melhores goleiros do País. Depois de convidar o então menino de 10 anos, que estudava na Escola Genuíno Sampaio, a jogar na escolinha, os dois procuraram seus pais.

A casa da família era do outro lado da rua. Para a alegria de Venâncio, Juarez e, principalmente, de Marcelo, Pedro e Ilse concordaram. Dona Ilse relembra como foi aquele dia. “Naquele tempo eu estava trabalhando no Catléia (fábrica de calçados) quando cheguei em casa de noite e ele me falou: ‘mãe eu vou jogar numa escolinha’. Eu disse: ‘como jogar numa escolinha? Tem que ver primeiro o valor da inscrição, da mensalidade, ou é de graça? Ele me respondeu que tinha mensalidade”, recorda a ex-revisora da fábrica que já fechou suas portas. “Eu disse para o Marcelo que a gente ia ver se tinha condições de pagar a mensalidade. Mas, conseguimos pagar e ele foi matriculado”, acrescenta Ilse.
 
A mensalidade no primeiro ano foi de 5 reais. “Na época, o nosso dinheiro era bem contadinho, mas felizmente deu para inscrever ele.” Pedro, já falecido, trabalhava como motorista de ônibus na empresa Central. Com a concordância dos pais, os coordenadores da UJC fizeram a inscrição.A ficha de número 151 da escolinha campo-bonense é guardada com muito carinho e zelo por Venâncio e Juarez. Inclusive, ela é um documento que, em caso de uma futura venda de Marcelo pelo Grêmio, renderia 5% do valor da transação à UJC. “Neste caso, entramos como clube formador”, explica Venâncio, que também é coordenador das escolinhas do 15 de Novembro. Na ficha, a assinatura do responsável foi feita por Ilse. Também constam assinaturas de Marcelo e Venâncio. 
 
O dia 10 de maio de 1998, segundo o documento, foi a “data da condição de jogo”. Assim, o garoto estava apto a vestir a camiseta azul e branca da UJC. A partir daí, o futebol ganhou um grande goleiro. 
Marcelo Grohe - A origem
 
Marcas de Grohe
 
 Nascimento: 13/1/1987
Idade: 27 anos
Naturalidade: Campo Bom/RS
Altura: 1,88m
Peso: 80 quilos
Jogos pelo Grêmio: 186
 
Títulos pelo Grêmio
2002 - Gaúcho Infantil
2002 - Brasileiro Infantil
2003 - Gaúcho Juvenil
2005 - Gaúcho de Juniores
2005 - Brasileiro Série B
2006 - Gauchão
2007 - Gauchão
2010 - Gauchão
 
Temporada 2011
17 jogos oficiais
9 pelo Gauchão
2 pela Libertadores
6 pelo Brasileirão
Temporada 2012
38 jogos oficiais
32 pelo Brasileirão
6 pela Copa Sul-Americana
1 amistoso
 
Temporada 2013
9 jogos oficiais
3 pela Libertadores
5 pelo Gauchão
1 pelo Brasileirão
 
Temporada 2014
44 jogos oficiais
12 pelo Gauchão
8 pela Libertadores
23 pelo Brasileirão
1 pela Copa do Brasil
2 amistosos
 
 
 

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